A Associação "Trilhos d'Esplendor" com sede na Praia de Quiaios, Figueira da Foz, pretende fazer em caminhadas guiadas uma descrição fotográfica da Flora da Serra da Boa Viagem e das Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas. Também mostramos o uso fito-terapêutico desta Flora cujo valor na medicina tradicional é bem conhecido na população local. São todos convidados para descobrir a beleza florística desta terra. Visitem uma das regiões mais importantes de biodiversidade de Portugal!

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"Polunin - Flowers of South-West Europe - revisited" (Vol. I - Introdução - 371 pp.) (->Download)

"Polunin - Flowers of South-West Europe - revisited" (Vol. II - Portugal - 1559 pp.) (-> Download)

(contains Web links to Flora-On for observed plant species, Web links to high resolution Google satellite-maps (JPG) of plant-hunting regions from the Iberian peninsula; illustrated text in Portuguese language)


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Polunin - Flowers of South-West Europe - revisited - última compilação

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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Flowers of South-West Europe revisited - 2.1 - Algarve

“Flowers of South-West Europe - a field guide” - de Oleg Polunin e B.E. Smythies
“Revisitas” de regiões  esquecidas no tempo - “Plant Hunting Regions” - a partir de uma obra de grande valor para o especialista e amador de botânica como da Natureza em geral.
Por
Horst Engels, Cecilia Sousa, Luísa Diniz, Nicole Engels, José Saraiva, Victor Rito
da
Associação “Trilhos d’Esplendor”


Na lembrança de velhos tempos e de amigos valiósos
Maria João, Manuel Batista e Nicole Eleonore
Olhos de Água - 1998

2.1 Algarve



                2.1.1.1.1 Costa Vicentina
2.1.1.2 Centro
2.1.3 The Serras
2.1.3.1 Monchique
2.1.3.2 Malhão
2.1.3.3 Caldeirão
2.1.4 Annexo: "Algarbien" - de Moritz Willkomm (1849)

2.1 Algarve

Polunin & Smythies  escrevem:
This, the most south-westerly region of Europe, has many distinctive features. Triassic and Jurassic rocks dominate; in places they rise to promontories or fall away, in the more sheltered easterly part, to sandy coasts with dunes and lagoons, while in the exposed west they end abruptly in rugged dolomitic cliffs. To the north of the region the underlying carboniferous rocks come to the surface in a low range of mountain which protect the southern coastline from the cold north winds. The Algarve is a sunny region, tempered even in the summer drought by sea breezes, while by contrast the extreme westerly promontories of Sagres and Cape St Vincent receive the full force of the south-west winds and are covered with treeless heathlands. The motorist in the Algarve cannot fail to notice the work of the road maintenance men, the cantoneiros of the Ministry of Public Works, and the neat and tidy appearance of their road verges, which are often colourfully planted with ornamental acacias, quince trees with large white blossoms faintly tinged with pink in March and April, irises (mainly I. albicans  with some I. germanica ), Salvia officinalis , pelargoniums, and so on. Nature also contributes a generous quota of roadside flowers, mostly widespread Mediterranean species, and these include * Narcissus obesus  which is very abundant; * N. papyraceus ; the asphodels A . morisianus ( lusitanicus ), A. aestivus  (the latter commencing to flower as the former is ripening its fruits) and * A. fistulosus ; * Gladiolus segetum abundant in the corn fields and the smaller * G. illyricus  in scrub, and * Iris sisyrinchium . The various species of Erica  and Cistus , especially * C. ladanifer , are much in evidence, with * Lithospermum diffusum subsp. lusitanica  and other common associates of cistus scrub. Later flowering are the yellow composites * Chrysanthemum coronarium , usually var. discolor with the bi-coloured flowers , * C. myconis  and its twin C. macrotus  turning whole fields yellow, and in high summer the yellow thistle * Scolymus hispanicu s and S . maculatue . Tall yellow umbellifers of the genus Thapsia  are seen everywhere in April and May. Other plants have a more limited distribution, and are restricted to one or other of the three contrasting zones which distinguish the Algarve and run parallel to the southern coast, namely , the coastal zone, the limestone zone (the Barrocal). and the Serras.
Esta é a região do extremo sul-oeste da Europa, uma região com muitas características próprias, que no entanto, sofreu grandes alterações durante os últimos 30 anos devido ao turismo que ali se instalou.
Biogeograficamente o Algarve representa um Superdistrito (Algárvico) n o Sector Algarviense  da Província Gaditano-Onubo-Algarviense  da Região Mediterrânica.
Sinopse biogeográfica de Portugal [1] [2]
Costa et al. (1998) [3]  descrevem o Superdistrito Algárvico  do Sector Algarviense  na “ Biogeografia de Portugal Continental ”:
O Superdistrito Algárvico  começa na Ponta de Almedena, inclui os calcários do Barrocal Algarvio e Barlavento e areias do Sotavento até à Flecha del Rompido. Bioclimaticamente a maioria do território encontra-se no andar termomediterrânico e ombroclima seco a sub-húmido, com a excepção duma pequena área costeira entre Albufeira e Lagos em que se situa no andar xérico-oceânico. Bellevalia hackelii, Picris willkommii, Plantago algarbiensis, Scilla odorata, Sidiritis arborescens ssp.  lusitanica, Teucrium algarbiense, Thymus lotocephalus, Tuberaria major são as plantas endémicas do Superdistrito. Ocorrem ainda no território Armeria macrophylla, Armeria gaditana, Astragalus sesameus, Ceratonia siliqua, Chamaerops humilis, Cleonia lusitanica, Cistus libanotis, Coridothymus capitatus, Erodium laciniatum, Euphorbia clementei, Frankenia boissieri, Galium concatenatum, Genista hirsuta subsp. algarbiensis, Glossopappus macrotus, Hypecum littorale, Hypecoum procubens, Limonium algarvense, Limonium diffusum, Limonium lanceolatum, Limoniastrum monopetalum, Linaria lamarckii, Linaria munbyana, Pycnocomom rutifolium, Narcissus gaditanus, Narcisus calcicola, Narcissus willkommii, Plumbago europae, Quercus faginea subsp. broteroi, Retama monosperma, Serratula flavescens, Serratula baetica subsp.  lusitanica, Sidiritis angustifolia, Sidiritis romana, Stauracanthus boivinii, Stauracanthus genistoides, Teucrium haenseleri, Thymus albicans, Thymus carnosus, Tuberaria bupleurifolia, Ulex australis subsp. australis, Ulex argenteus subsp. argenteus, Ulex argenteus subsp.  subsericeus. As espécies Cynomorium coccineum  e Lycium intricatum  encontram-se só na área xérica do território. Em relação à vegetação são consideradas comunidades endémicas: Cistetum libanotis, Tuberario majoris-Stauracanthetum boivini, Thymo lotocephali-Coridothymetum capitati, Pycnocomo rutifoliae-Retametum monospermae, Tolpido barbatae-Tuberarietum bupleurifoliae.  São também comuns no território: Smilaco mauritanicae-Quercetum rotundifoliae, Oleo-Quercetum suberis, Querco cocciferae-Junipertum turbinatae, Asparago albi-Rhamnetum oleoidis, Asparago aphylli-Myrtetum communis, Phlomido purpureo-Cistetum albidi, Loto cretici-Ammophiletum australis, Artemisio crithmifoliae-Armerietum pungentis, Ononido variegati-Linarietum pedunculatae, Limonietum ferulacei e Salsolo vermiculati-Lycietum intricati (esta última xérica), bem como todas as comunidades dos salgados que já foram referidas para a Província, e ainda o Polygono equisetiformis-Limoniastretum monopetali.
WILLKOMM, Heinrich Moritz  nascido 1821 em Herwigsdorf na Alemanha, publica entre 1861 e 1880 a primeira Flora de Espanha Prodromus Florae Hispanicae (Willkomm & Lange, 1861-1880) [4] [5]  - e em 1896 também a importante obra sobre: Grundzuege  der  Pflanzenverbreitung  auf  der  iberischen  Halbinsel .   [6] . Ele descreve em 1846, durante a sua primeira de três expedições botânicas para a Península Ibérica, os resultados de uma brêve visita do Algarve que fez em 9 de Janeiro de 1846 a partir de Cadiz.
Reconstrução aproximada do itinerário de M. Willkomm durante a sua primeira viagem pela Península Ibérica (1844-1846) [7]
A descrição desta excursão, publicada em 1846 na revista Botanische Zeitung [8]  em Berlim, está disponível no Internet Arquivo ( link ) e dá informação importante não apenas das comunidades de espécies que Willkomm encontrou na altura no Algarve, mas também de dados florísticos e clima na altura. Willkomm coleccionou durante as 3 viagens para a Península Ibérica um vasto herbário. Mais tarde, a Universidade de Coimbra adquiriu o Herbário de Willkomm , onde o herbário se encontra hoje. [9]
O herbário da área Mediterrânica (e Canárias) do botânico de Praga H. M. Willkomm (1821-1895) constitui uma colecção à parte de mais de 30.000 exemplares dentro do herbário do Departamento de Botânica da Universidade de Coimbra (COI). Esta colecção serviu de base à elaboração da obra Prodromus Florae Hispanicae (Willkomm & Lange, 1861-1880), a qual constituiu a primeira Flora de Espanha e contém muitos exemplares tipo de taxa Ibéricos. De modo a preservar esta colecção antiga, os exemplares não são disponibilizados para empréstimo. Contudo, mesmo a manipulação mais cuidadosa combinada com o papel muito ácido utilizado por Willkomm, para além da acumulação do tempo e do pó, tem provocado danos na colecção.
Aqui o texto que Willkomm  escreveu em Março de 1846:


Relatos botânicos de Espanha
De
Moritz Willkomm
14.                                          Cadiz, Março de 1846
Para não deixar passar o inverno sem proveito, decidi fazer uma excursão para a parte mais sul de Portugal quer dizer para o Reino do Algarve; a única região da costa sul da Península Ibérica que todavia não conhecia. Embarquei assim em 9 de Janeiro num veleiro pequenino, com destino para Ayamonte , a partir donde estava decidido de ir à pé para o Algarve. O vento favorável de Norte que encheu as velas quando deixamos a baía de Cadiz, mudou infelizmente logo para Sul-Oeste quando tinhamos passado a foz do Guadalquivir, e obrigou nós de procurar asilo contra a tempestade que estava a chegar no Canal de Huelva , e que na realidade não tardou de começar e que continuou durante 3 dias, acompanhado por chuvas torrenciais, e que não permitiu nem continuar a viagem, nem sair do barco. Apenas mais tarde tive oportunidade de visitar as ilhas de areia que se encontravam nos sapais e na parte da foz do rio, que no entanto, nesta altura não tinham interesse botânico. São cobertas de pinheiros torcidos onde nas suas sombras se encontram tamariscos, alecrim, cistáceas, Juniperus macrocarpa  Salzm., J. oxycedrus  L., Spartium junceum  L., Sarothamnus affinis   Boiss. e Rhamnus infectorius (?Rhamnus lycoides)  L., por baixo do qual começavam já a florir aqui e acola   Lavandula Stoechas , Helichryson Stoechas  
e Malcolmia parviflora . Nas partes mais baixas e salgadas da ilha, onde se encontra a Torre de Larenilla [10] , um posto da alfândega,  estava já em flor Polygonum marinum , e acima das dunas ao longo do canal crescia em grande quantidade a bonita e arbustiva Armeria pungens   Lk. Hoffm. que infelizmente não tive a oportunidade de ver em tempo de floração. Dispersas ao longo de toda ilha vi também arbustos grandes de Empetrum album  L., em floração plena, um arbusto que me lembro ter visto também nos arredores da baía de Cadiz e que se encontra novamente nas margens de areia do lado português do Guadiana. Da parte dos cistáceas começaram  já Helianthemum halimifolium   e Cistus ladaniferus  a abrir as suas grandes flores e prometeram uma primavera precoce. A última das duas espécies começa a ficar mais abundante para oeste e norte,  cobrindo as colinas da Serra Morena quase inteiramente e na qual se expande a sua distribuição, como se sabe, muito para este.
As dunas de areia da margem oeste do canal e do atlântico encontrei densamente povoadas com a arbustiva Artemisia crithmifolia  L., uma espécie bonita com folhas pinnatisectas carnosas.
Impedido pelos ventos adversos e chuvas contínuas, consegui sair de Huelva [11] , para onde tinha ido …, apenas em 23 de Janeiro, no dia em que parti  pelo lado terrestre para Ayamonte .
Nos pinhais … que se existem por todos lados ao longo da costa entre as cidades Lepe e Ayamonte, inseridas no meio de laranjais, estava em grande quantidade em flor o curioso Ulex Boivini   Webb), um arbusto gracioso que confundi uns meses atrás com U. genistoides  Brot. do qual ele se distingue no entanto por um lado pelo
seu hábito (Habitus), por outro lado pelas suas vagens muito mais pequenas e sem pelos, enquanto U. genistoides  possui vagens mais compridas e cobertas com pelos (de “lã”) castanhos. Também encontrei aqui e acola a graciosa Ixia ramiflora  Ten., que já tinha recolhido um ano antes nos arredores de Cadiz, e que se encontra a partir de Málaga em toda Andalucia occidental e no Algarve, e que sobe nas montanhas até 4000 pés.
Na sequência do anterior tempo chuvoso quente e primaveral notava-se um importante desenvolvimento da vegetação nos arredores da simpática cidade de Ayamonte....
Nas encostas ingremes de uma colina de brecha  dura, onde se encontra no cume da mesma uma ruina de uma fortificação antiga, estava Anagyris foetida  em grande quantidade em flor, as amendoeiras mostravam por todo lado as suas flores grandes brancas e arosadas, os campos e prados cheios de crucíferos como a graciosa Brassica arenaria  Brot.(? B. barrelieri ) , diversas espécies de Diplotaxis , Raphanus Raphanistrum , Malcolmia parviflora (?M. ramosissima) [12] , Alyssum ?campestre [13] ; como também de Nonnea pulla (?Lycopsis pulla) , Cynoglossum clandestinum [14] ,
Salvia verbenaca , Calendula arvensis , Thrincia grumosa  Brot., Linum agreste  Brot., Silene bipartita Desf. [15] , Fumaria agraria  Lag. [16] ; em valas e lugares húmidos cresceu Borrago officinalis  e Narcissus niveus  Lois.. Acima de cascalho húmido e por baixo de figueiras Smyrnium Olusatrum [17]  desenvolveu já as suas umbelas verde amarelados, como também uma graciosa Oxalis  com grandes flores amarelas.
No meio de arbustos como Anagyris foetida , Sarothamnus affinis [18] , Rhamnus Alaternus , Atriplex Halimus  e outros encontrava-se um Sonchus   gracioso com um caule pouco folhado, e em sítios arenosos com giestas anunciava-se de longe Erophaca baetica [19]   perante os seus cachos de flores brancas-amarelas.
Em paralelo com a já mencionada cresta de arenites amarelos e de brecha que se estende a partir da Foz do Guadiana ao longo da costa para este, separada pelo pantanoso vale do Valedejudia, de um pequeno rio que provém das montanhas de Villablanca, começam a nascer as primeiras colinas xistosas de uma  Serra da Morena que por cada milha que se passa levanta-se mais alta, em parte coberta ainda por delgados pinheiros jovens.
Aqui estavam frequentemente em flor uma pequena ? Diplotaxis  acompanhada por Ixia ramiflora , Bellis annua , Thrincia grumosa  e Linum agreste  ; no sob-coberto aparecem aqui e acola já as flores vermelhas grandes de Cistus albidus [20] , e nos pantanos de uma vegetação caduca do outono de salsoláceas, chenopodeáceas e plumbagináceas as inúmeras flores brancas de uma ranúncula aquática.
Depois de 8 dias de estadia em Ayamonte  segui para a margem portuguesa e escolhi a principal do Algarve, Faro  - nove leguas distantes da Foz do Guadiana, como a minha estadia principal. Antes de falar da fisionomia vegetativa do Algarve, considero oportuno para não ter necessidade de me repetir mais tarde, de pronunciar algumas palavras gerais sobre a situação geognóstica deste pequeno país interessante que tive oportunidade de conhecer em praticamente todas as suas partes durante a viagem de três semanas. O Reino do Algarve que meramente cobre uma area de cerca de 100 milhas quadradas divide-se muito naturalmente em 3 faixas ou sintos paralelos à costa sul que o povo distingue de forma muito precisa e exacta e que designa como costa , barrocál  e serra . A faixa costeira de 1 e meia até 2 horas de largura consiste de areia solta; apenas na região de Faro a areia consolida para um arenite mole, amarelo e vermelho, que algumas horas mais para oeste tem tomado durante milénios, apenas na margem imediata da costa, devido à acção do mar, uma consistência mais dura e que forma a partir de Albufeira até ao Cabo São Vicente falésias ingremes estranhamente fraccionadas e rasgadas que tornam esta costa sul-oeste de Portugal  numa paisagem extraordinariamente pitoresca.
Apesar da aparente infertilidade desta faixa costeira, constitui a costa a parte mais povoada e cultivada do Algarve, nomeadamente entre a Foz do Rio Guadiana e Faro onde a aplicação e diligência incansável destes habitantes, pelo resto pouco avançados, tornou este deserto de areia num paraíso de hortas cujos pontos mais brilhantes são os arredores da cidade bonita de Tavira.
Grandes plantações de laranjas e de limões, meio cobertas pelas areias de dunas e areias soltas que se encontram perto da cidade de Villareal de Santo António  construida do lado oposto de Ayamonte na Foz do Guadiana, enterradas entre faixas de dunas mais altas do que casas e cujas cristas brilham à luz da lua durante a noite como cristas brancas de neve.
Autênticas florestas de alfarrobeiras com folhagem densa e de oliveiras pretas alternam com figueiras e laranjeiras, com vinhas e plantações de legumes, separadas por campos de trigo esverdeados e contornadas por amendoeiras e amoreiras; e este país todo que se compara à uma floresta perenifólia, com algumas palmeiras …que sobresaiem com as suas folhas pinadas, está cheio de pequenas casas do campo e aldeias simpâticas cujas casas solidamente construídas testemunham a prosperidade da povoação.
Quase igualmente bem povoada é a faixa de colinas, rico em água, que forma o espaço intermediário entra as faixas costeiras que acabamos de descrever e as serras do Algarve. Esta faixa de colinas cujos cumes pouco ultrapassam 1000 pés em altitude consiste de calcários, brecha, margas, argilas e areias com o nome bonito portugues de barrocál parece indicar (composto de barro  - argila, cal e margas).
Devido à topografia deste país muitas partes não são cultivadas, mas cobertas de uma vegetação arbustiva diversificada; em contrapartida os vales, “desfiladeiros” e encostas das montanhas são caracterizadas por cultivos diversos entre quais a figueira constitui a parte maior, nomeadamente os tufos calcários com água em abundância dos arredores da cidade Loulé são uns dos sítios mais bonitos de toda Península Ibérica.
Apenas poucas aldeias encontram-se dispersas nos vales das montanhas, cujos habitantes alimentam-se normalmente de produção de carvão vegetal, do trabalho em minas, criação de gado ou na profissão de “almocreves” e de trabalhos artesanais com “esparto” e das folhas de Chamaerops humilis   das quais as mulheres sabem trabalhar peças delicadas.
Nas areias das dunas à volta de Villareal  encontrava-se nesta altura do ano a rara Linaria lusitanica Brot. [21]   com as suas espigas densas de flores verde amareladas enquanto as suas caules frágeis com folhas carnudas de verde azulado estavam dispersas e meio enterradas na areia. Também começou a mostrar-se a graciosa Linaria praecox  Lk. Hoffmgg. [22]  qual por oeste, nomeadamente na região de Faro, é abundante com distribuição até Albufeira, a partir de onde é substituida  pela não menos elegante Linaria linogrisea  Hoffmsgg. [23] que chega na sua distribuição até ao Cabo São Vicente. Além disso observei nas dunas de Villareal o já mencionado Empetrum album [24] , também em grandes quantidades em floração Artemisia crithmifolia [25] , Scrophularia canina  var. frutescens , Senecio crassifolius  DC ., e em depressões húmidas Erodium cicutarium [26]  var. praecox  Cav., Stachys arvensis [27]  L., diversas eufórbias  e outras plantas das praias.
Narcissus Bulbocodium [28]  que se mostrou nas formações areníticas de Faro e nos prados das depressões das serras algarvias e provavelmente continue pela Serra Morena muito para este. Nas planícies estéreis de arenites por norte-este de Faro que se prolongem para este entre Faro e Olhão em depressões pantanosas e salgadas, encontrava-se por baixo de Ulex genistoides  diversas espécies de Thymus  em estado vegetativo além do já mencionado Narcissus Bulbocodium  e da aqui abundante Ixia ramiflora   a bem cheirosa Scilla odorata [29]  Brot., também a pequena Arenaria emarginata [30]  Brot.,
uma espécie de um dedo de altura com petalas ligeiramente vermelhas e margens recortadas de entalhes que, no entanto, tal como a bonita Myagrum iberioides  Brot., é muito raro de encontrar.
Nas cercas de Agava  ou de diversos arbustos  entrelaçados de Aristolochia subglauca [31]   Brot., que considero apenas uma forma de Aristolochia baetica  DC. de que se distingue em princípio apenas pelas folhas que do lado inferior são de cor fortemente verde-azulado.
Cerca de ¾ por oeste de Faro começa um pinhal extenso com pinheiros velhos que cobre quase até Albufeira  o litoral. Nas sombras das árvores estava a bonita Erica umbellata [32]  L. abundantemente em flor e perto de Faro encontraram-se em lugares abertos por baixo de arbustos baixos em flor   Ulex Boivini , U. genistoides , Erica umbellata , cistáceas  etc., a bonita Scilla monophylla  Lk. (Sc. pumila Brot.) além de Helianthemum salicifolium [33]  e H. guttatum [34] , e na areias das vinhas próximas um Eriodium  praticamente sem caula e com folhas penatissectas purpureo-esverdeadas, Brassica sabularia [35] , Linaria praecox [36] , Lupinus hirsutus [37]  e L. angustifolius [38] .
Na parte da manha de 6 de Fevereiro parti da capital do Algarve para me dedicar algum tempo ao “Barrocal”, escolhendo o pitoresco Loulé  para a estadia. Parti mais tarde  pelo caminho das minas de cobre de Alte e de São Bartholoméu dos Mossines para a cidade antiquissima de Silves , da antiga residência dos Reis muçulmanos de “Ambos os Algarves”. As integralmente com alfarrobeiras e diversos arbustos cobertas colinas com declives ingremes.  não satisfazerem as minhas espectativas que a costa rica em flores tinha criada em mim. Aqui e acola mostrou-se em flor uma formidável Erica australis  L. e nos arredores de Loulé e Alte já se encontrava em flor a por aqui abundante e arbustiva Osyris quadripartida [39]  Salzm., em comunião com Anagyris foetida , Viburnum Tinus , Rhamnus Alaternus  e  arbustivas Coronilla .
Na colina da capela de Nossa Senhora de Piedade de Loulé observei
já uns exemplares da bonita Ophrys atrata [40]   Lindl, e entre Alte  e São Bartholomén , em comunião com o vulgar Narcissus niveus , uma espécie de flor amarela e bem cheirosa deste Género , com caule ouco, multifloral e folhas junciformes meio redondas e oucas, Narcissus juncifolius (?N. jonquilla)   que mais tarde reencontrei em maior número em sítios parecidos entre a Serra e Lagos. Nas orlas dos prados e campos estava por aqui e acolá, como em todo Algarve ocidental com exceção da serra, a polimorfa Salvia verbenacoides  em floração que substitui aqui a comum espécie de Salvia verbenaca . Também Fedia cornucopiae  estava a abrir as suas flores vermelho-purpúreas.
A aldeia pobre de Alte  que no entanto devido às recentemente abertas minas de cobre deve ter um futuro próspero, está situada nos sopés da serra que aí são em maior parte areníticas. Nos seus arredores encontrei esporadicamente Narcissus juncifolius  Lag., como encontrei aí também pela primeira vez a bonita Erica lusitanica [41]   Lk. que na altura confundi com Erica arborea [42]  com que é muito parecida nos seu hábito.
Em bosques de Quercus ilex  e Qu. Ballota  apareceram na terra humosa as folhas de uma Paeonia [43]  que infelizmente não consegui ver em flor. Dispersas nos subarbustos dos montanhas vizinhadas encontrei por tudo o barrocal e a serra Lithospermum  prostratum  e L. fruticosum , ambas em flor. -
Como a flora no barrocal ainda não estava suficiente desenvolvida para justificar uma estadia mais prolongada, decidi de visitar a serra, e especialmente a do Monchique  elogiado pelo povo por sua riqueza em ervas, - e assim parti no dia 13 de Fevereiro de Silves para me deslocar e transversar a Serra do Algarve em direcção ao Monchique. como não estava de esperar que devido à maior altitude da serra a flora seria mais avançada, não fiquei pouco surpreendido de encontrar uma serra com os arbustos à florir em grande quantidade....
Uma olhada para as pedras xistosas e a vegetação arbustiva convenceram-me que esta serra não é outra coisa do que um prolongamento da Serra Morena. Cistus ladaniferus dominava em geral, e nos apices de alguns dos ramos delgados já brotaram as flores com as suas grandes petalas brancas,
manchadas purpureas (na base). As cores vermelhas e branca da serra deviam-se dos dois arbustos vulgares de ericáceas Erica australis  e Erica lusitanica , entre quais se encontrava uma giesta grande, arbustiva com folias lineares e flores amarelas...
Depois ter passado o último destas crestas cobertas com flores que se levanta devido às massas graníticas bastante acima das outras colinas entra-se num vale extenso com sobreiros e outros carvalhos que se fica cada vez mais estreito e que separa os dois cumes da Serra de Monchique, Fóia  e Piquóta e onde, na parte mais alta da encosta de Foia, se encontra a pequena cidade de Monchique, rodeada de soutos sombrios, numa das paisagens mais pitorescas do mundo.
Na subida neste vale coleccionei em cascalhos graníticos e acima de muros Linaria amethystea  e em semeadas Cardamine residiflora? (resedifolia?) , além de uma pequena Valerianella  e Draba verna [44] .
Em terra folhosa leve e húmida dos castanheiros, acima de Monchique , estava em quantidade apreciável em flor a bonita Primula acaulis  Brot. com as suas grandes pétalas, e mesmo aqui encontrei não pouco surpreendido arbustos luxuosos altos de Rhododendron ponticum   L., que reencontrei no dia seguinte na subida para a Foia nas margens dos riachos até aos prados subalpinas das nascentes des riachos e que segundo testemunho dos habitantes de Monchique também deve ter existido nas partes mais baixos da serra até ao fundo do vale que separa Fóia  e Picóta  e onde já figueiras e amendoeiras.
Este interessante arbusto do Oriente cuja aparância na península Ibérica é tão surpreendente e onde, se não me engano, foi descoberto pela primeira vez por Mr. Barker Webb nas montanhas de Algeciras  - a única localidade na península Ibérica até aí conhecida onde o encontrei também no ano passado, - encontra-se em três climas diferentes sem mostrar uma aparente modificação na sua forma. Apenas as folhas são mais delgadas aqui; mas encontra-se aqui muito mais abundante do que nas serras de Algeciras, onde existe apenas na região montanhosa, e também ao longo dos riachos. O mais surpreendente foi que encontrei o aqui já em 14 de Fevereiro em flor, enquanto nas encostas muito mais quentes de Algeciras ele tinha em 22 de Março os gomos ainda mal desenvolvidos.
…A restante flora fanerogâmica da Serra de Monchique ainda não estava nada desenvolvida; apenas aqui e acola estava nas fissuras das rochas um exemplar de Saxifraga granulata  em flor.
Nas rochas de basalto do cume norte de Foia descobri as folhas lanceoladas largas de uma Armeria  e de diversas espécies de Sedum .
As rochas estavam cobertas com diversas espésies de liquens e de almofadas de uma Frullania [45] , como também consegui observar aqui diverses fetos como Blechnum spicant , Cheilanthes odora [46] , Asplenium Trichomanes , Asplenium adiantum nigrum  e nomeadamente alguns exemplares luxuosos de Aspidium Filix mas [47] ?. E em fim encontra-se aqui como em todo lado na serra do Algarve o bonito Lycopodium denticulatum  em grandes quantidades.
Num vale estreio com floresta ao pé sul de Picóta para qual não subi, encontra-se no meio de laranjeiras o pelas suas nascente de enchofre balneário famoso Caldas de Monchique . A sua vegetação era insignificante nesta altura do ano; no entanto recolhei em cascalho húmido uma bela Diplotaxis, como encontrei aqui também por baixo do balneário no meio da floresta uns exemplares verdadeiramente gigantes e aparentemente totalmente selvagens de Colocasia [48]  antiquorum  Schultes. Esta planta do Egipto que também aparece na espanha entre Churriana e Torremolinos e que foi detectada por Hänseler e Prolongo e que foi visto em 1837 também por Boissier e que pensava que fosse autóctona na ilha, não vi em flor. Em Malaga onde é chamada pelo povo “mantas de St. maria” ela nunca entre em floração segundo Prolongo.
A seguir a esta visita rápida à serra voltei à costa evisitei a parte entre Faro  e Cabo S. Vicente  que demonstra na maioria a vegetação costeira já descrita. Entra Portimão  e Villanova de Portimão  descobri o em Cadiz tão vulgar Allium subhirsutum  L.  e a arbustiva Artemisia palmata   L., duas plantas que ainda não tinha visto no Algarve.
Quando regressei a Ayamonte por fim de Fevereiro, encontrei a vegetação bastante avançada. Nas encostas sombrias do castelo eestava Smyrnium olusatrum  em flor além de Picridium vulgare  Desf. e diversas compostas  do género Crepis  e Carduus ; nas
colinas estavam agora em flor Cistus albidus , C. crispus  e C. salviifolius  além de S arothamnus affinis  Vahl. em grandes quantidades, e num arbusto encontrei, novamente rara, a bonita Vicia villosa [49]  Brot. com cachos de flores bem desenvolvidos.
J. A. DEVESA & C. VIERA [50] [51]  resumem em espanhol os resultados desta excursão botânica de Willkomm  para o Algarve:
La estancia en Portugal
Al objeto de no desaprovechar el invierno, tal y como el propio Willkomm indica, decide realizar una visita al sur de Portugal «o Reino del Algarve, la única parte de la costa meridional de la Península que todavía no conocía». Con este objeto, el botánico parte el día 9 de enero de 1946 desde Cádiz hacia Ayamonte, en un pequeño guardacostas y con la idea de emprender desde aquí el viaje al Algarve, un periplo no exento de dificultades y que aprovechó para realizar algunas observaciones botánicas:
«Desgraciadamente, el viento favorable del norte, que movía nuestro velero al abandonar la bahía de Cádiz, cambió a sudoeste al pasar la desembocadura del Guadalquivir, desencadenándose una tormenta, y continuó el mal tiempo durante tres días. Debido al mal estado del tiempo, tuvimos que interrumpir el viaje en la bahía de Huelva. Estos parajes salinos, en su mayor parte dunosos y con profundos pantanos que rodean la cuenca del canal, forman una isla arenosa en su desembocadura, que en esta época no ofrecía ningún interés botánico. Dichos parajes salinos están cubiertos en su mayor parte de pinos retorcidos, a cuya sombra crece un frondoso matorral de tamarindos, romero, cistáceas, Juniperus macrocarpa  Salzm. [ J. oxycedrus  subsp. macrocarpa ], J. Oxycedrus  L., Spartium junceum  L., Sarothamnus affinis  Boiss. [ Cytisus grandiflorus ] y Rhamnus infectorius  L. [prob. se refiere a R. lycioides  subsp. oleoides ]; bajo este matorral, de forma dispersa, florecen Lavandula Stoechas , Helichryson Stoechas  y Malcolmia parviflora  [ M. lacera ]. En los alrededores salinos de la isla, en donde se encuentra Torre de Larenilla [La Arenilla], un puesto aduanero, florece ya Polygonum marinum  ( P. maritimum ), e igualmente en las dunas a lo largo del canal crece en gran cantidad la bonita y arbustiva Armeria pungens  Lk. Hoffm., que hacía tiempo que no había observado en floración. Por toda la isla también vi dispersos grandes arbustos de Empetrum album  L. [ Corema album ], en plena floración, un arbusto que también recuerdo haber observado en los alrededores de la bahía de Cádiz y que se vuelve a encontrar en las cuencas arenosas de la parte portuguesa del Guadiana. Helianthemum halimifolium  [ Halimium halimifolium ] y Cistus ladaniferus  [ ladanifer ] muestran desarrolladas sus bonitas flores anunciando una nueva primavera. La última de estas cistáceas comienza desde aquí a ser más abundante hacia el oeste y norte, hasta alcanzar las laderas de Sierra Morena, donde se hace más notable hacia el este. Las dunas arenosas de la cuenca del canal occidental y del océano las encontré recubiertas del arbusto Artemisia crithmifolia  L., una bonita especie con hojas pinnadas carnosas»'.
A pesar del viento y la lluvia, Willkomm pudo regresar a Huelva, desde donde partiría nuevamente el 23 de enero, haciendo escala en Ayamonte. De allí describe los extensos pinares que cubren la región comprendida entre Lepe y Ayamonte, donde puede observar Stauracanthus boivinii [sub Ulex Boivini] «en gran cantidad», y la «graciosa Ixia ramiflora  [ Romulea ramiflora ], que ya había recogido un año antes en los alrededores de Cádiz». Su estancia en Ayamonte se prolonga durante ocho días, y ello le permite visitar los alrededores de la población y observar su flora antes de «recorrer las nueve leguas que separan la desembocadura del Guadiana hasta la capital del Algarve, Faro».
Desde Faro, Willkomm realizó diversas expediciones botánicas por la costa antes de adentrarse la mañana del 6 de febrero en el « Barrocal », es decir, en la región comprendida entre la costa y las montañas altas del interior, caracterizada por la existencia de colinas de escasa altitud («cuya altura máxima apenas sobrepasa los 1.000 pies») y de naturaleza básica. Aquí visita las minas de cobre de Alte y Sáo Bartoloméu dos Mossines, dirigiéndose luego a la ciudad de Silves, desde donde —ya el día 13 de febrero— comienza sus exploraciones por la Sierra de Monchique.
En el Algarve invirtió Willkomm tres semanas, que le permitieron no sólo conocer en profundidad las características fisiográficas y geológicas de este territorio, sino también su flora y vegetación, así como los principales «modus vivendi» de las gentes del lugar:
«Sólo se encuentran algunas huertas dispersas en los prados de las montañas, cuyos habitantes se sustentan principalmente del carboneo, la explotación minera, la ganadería y el trabajo del «esparto» y las hojas de Chamaerops humilis , de la que las mujeres hacen graciosos trabajos denominados «almocréves» (arrieros)»
Los aspectos geográficos los describió minuciosamente en el año 1854 [Das Kónigreich Algarve], y entre ellos incluyó referencias a los rasgos más generales de la vegetación y a los principales cultivos en el territorio. De la primera, Willkomm señaló su mayor parecido con la del norte de Africa y Madeira que con la del sur de Europa:
«Ya se ha señalado anteriormente que la vegetación del Algarve recuerda mucho más a la del norte de Africa y Madeira que a la del resto del sur de Europa. El hecho es que Algarve tiene gran número de plantas comunes con Africa del Norte y Madeira, en concreto plantas que por su tamaño y abundancia determinan el carácter de la vegetación y, consecuentemente, también del paisaje. A éstas pertenecen sobre todo los bonitos arbustos siempre verdes, de 3 a 6 pies de altura (el denominado «monte baixo»), que en la mitad sur de la Península, así como en las comarcas sureñas mediterráneas, juegan un papel tan importante cubriendo la mayor parte del suelo no cultivado, en general de forma conjunta, en concreto: Cistus ladaniferus  [ ladanifer ] L., Retama monosperma  Boiss., Erica arborea  L., [ Erica ] australis  L., Nerium Oleander L., Pistacia Lentiscus y [ Pistacia ] Terebinthus  L., Osyris quadripartita  Salzm. y otras más. A éstas se unen otros arbustos propios del Algarve, que tienen también un aspecto muy africano, por ejemplo Genista polyanthos  WillK., Stauracanthus spectabilis  Webb [ S. genistoides subsp. spectabilis] , Nepa lurida [ Stauracanthus boivinii] , Vaillantii y Escayracii Webb [= Stauracanthus boivinii ], Ulex argenteus  y erinaceus  Welw. [ U. argenteus  subsp. erinaceus ], Erica lusitanica  Lk. y otras más».
Y respecto a los cultivos destaca la importancia, sobre todo en las regiones costeras y bajas (Beiramar y Barrocal), de naranjos, olivos y algarrobos, los dos últimos asilvestrados también en el territorio. Willkomm describe la flora y la vegetación del Algarve para cada una de las tres unidades básicas que reconoce : las arenas y los acantilados costeros , el Barrocal  y la Sierra .
De la primera unidad ( acantilados costeros )  describe con detalle —entre otros enclaves— las dunas e inmediaciones de la población de Villareal de Santo Antonio, cerca de la desembocadura del Guadiana, y destaca la presencia de algunas especies de Linaria , como L. tristis  [sub L. lusitanica ], L. spartea  var. praecox  [sub L. praecox ] y L. incarnata  [sub L. linogrisea ], y de herbáceas perennes como Corema album  [sub Empetrum album ], Artemisia crithmifolia , Scrophularia canina  var . frutescens  y Senecio leucanthemifolius [sub S. crassifolius ], entre otros elementos de interés. De igual forma, menciona de esta zona los bosquetes de alcornoques y pinos, como los situados entre Albufeira y Faro, en cuyos suelos arenosos encontró además de las linarias ya mencionadas « Scilla monophylla  Lk., Erica umbellata  Lk., Helianthemum guttatum  Mill. [ Xolantha guttata ], Salvia Verbenacoides  Brot. [prob. S. verbenaca ], Ulex genistoides  Brot. [ Stauracanthus genistoides ] y otras más", así como también algunos neófitos naturalizados, como Aeonium arboreum  [sub Sempervivum arboreum ], o utilizados profusamente para setos, como las chumberas y las pitas:
«Los setos con los que los algarveños rodean sus campos y fincas, igual que la mayoría de los habitantes de las comarcas mediterráneas son, en parte, de zarzamoras, y en parte de chumberas ( Opuntia vulgaris [52]  y Tuna Mill. [ O. dillenii ]) y pitas ( Agave americana  L.), como en todas las comarcas litorales de la región mediterránea más cálida. De la última hay una variedad peculiar con hojas verdeamarillentas, delgadas, casi membranosas (apenas 1-3 pulgadas de grosor) utilizada como seto entre Tavira y Albufeira, especialmente en los alrededores de Faro, que destaca ya de lejos por su verde característico. Según Link, que considera este ágave una especie propia, fue plantado en tan gran cantidad debido a que no lo comen los bueyes, empleados en el Algarve como animales de tiro, mientras que las gruesas hojas del ágave común, casi verde-azuladas, pueden ser utilizadas como pienso para los animales, y por ello muy frecuentemente son cortadas por los conductores de los carros»
Además, Willkomm'" cita de las regiones costeras  algunos cultivos de interés, como el de la vid, no muy extendido, que «se explota principalmente en los alrededores de Loulé, Faro, Villanova y Lagos», la palmera datilera, que «prospera en todo el litoral igual de bien que en el norte de Africa, si bien sólo se ve raramente y nunca en gran cantidad» y, sobre todo, muchas plantas exóticas cultivadas u ornamentales, entre ellas Yucca gloriosa , Musa paradisiaca (el plátano), Ipomoea batatas  [la batata, sub Convolvulus Batatas], Bambusa arundinacea , Cassia tomentosa , Erythrina corallodendron , Oxalis pes-caprae  [sub O. cernua ], Pelargonium hybridum  y varios Mesembryanthemum . En los alrededores de Faro, el botánico sajón destaca el cultivo de Opuntia coccinellifera  y la cría de la cochinilla, «que prospera bien aquí y en toda la región cálida de Algarve, igual que en Málaga y Valencia, donde la cochinilla ya es un artículo comercial». En el Barrocal  Willkomm destaca la presencia de «la magnífica Erica australis », así como otras muchas plantas presentes en diversos lugares, como Osyris quadripartita , muy común «sobre todo en Loulé y Alte», en asociación con Anagyris foetida , Viburnum tinus , Rhamnus alaternus , etc.; en las colinas de la Capelle de Nossa Senhora da Piedade, cerca de Loulé, observa en flor «la bonita Ophrys atrata » [ O. incubacea ], y en los alrededores del «pequeño y aislado pueblo de Alte, en cuyas proximidades se han abierto por primera vez desde hace muchos años ricas minas de cobre», cita Narcissus juncifolius '7> y «la bonita Erica lusitanica », entre otras plantas de interés 16 . En su artículo sobre el Algarve', Willkomm vuelve de nuevo a describir la vegetación de esta zona, en la que hay un generoso «monte baixo», entre cuyos elementos cita como abundantes Cistus albidus , Rhamnus alaternus , Cytisus grandiflorus  [sub Sarothamnus grandiflorus ], Anagyris foetida  L., Coronilla valentina  subsp.  glauca  [sub Coronilla glauca ], Punica granatum , Myrtus communis , Viburnum tinus , Erica australis , Quercus coccifera , Osyris quadripartita , palmito ( Chamaerops humilis ), Juniperus oxycedrus , etc. De otros hábitats de esta zona hace también el siguiente comentario botánico:
«Los ribazos de los arroyos, que discurren cristalinos y alegres, están cubiertos de arbustos de la altura de un hombre, pistachos, laureles, granados y duri- son blanquecinas en el envés, y numerosas plantas trepadoras, entre las que juegan un papel principal Aristolochia baetica  DC., de brotes pardos, y la espinosa Smilax aspera  L. También, plantas de vid, que crecen frondosas y trepan hasta la cima de los troncos de los árboles que abundan en las cuencas de los arroyos y ríos: roble portugués ( Quercus lusitanica  Lam.), álamos, olmos, laurel y almez ( Celtis australis  L.), como en otros lugares del sur de la Península...»
Los principales cultivos de la región del Barrocal , según describe Willkomm, eran higueras, almendros y naranjos, estos últimos sobre todo en los valles más cálidos, y cereales, sobre todo trigo y maíz, en la mitad occidental. La región montana  es, para Willkomm, la «región de los matorrales y castaños». Al adentrarse en la « Serra » la fisionomía de la vegetación que encuentra el botánico es muy diferente de la del Barrocal y las zonas costeras, ya que aquí adquiere gran predominio «un matorral espeso, verde oscuro y brillante, que cubre las montañas de abajo a arriba, de manera que con el brillo del sol parecen prodigiosas olas marinas». La constitución y características de este matorral, así como los escasos cultivos observados en la zona, los describe1' en los siguientes términos:
«Este matorral  está compuesto principalmente de Cistus ladaniferus  [ ladanifer ] L., un bonito arbusto con ramas delgadas, de hojas brillantes, siempre verdes, y flores magníficas, de 2 pulgadas de diámetro, con manchas rojo-púrpura y numerosos estambres amarillos dorados. Las hojas y ramas de esta planta [...] desprenden una resina muy líquida, que se evapora con alta temperatura y por ello, si están al sol, llenan la atmósfera con un olor agradable en todas las comarcas en las que crece. Por debajo de este bonito arbusto, hay en la Serra otros no menos bonitos, concretamente Erica australis  L. y [ Erica ] lusitanica  Lk., dos especies de brezo que alcanzan una altura de 3-5 pies, formando ramilletes alargados de pequeñas flores rojo brillantes y blanquecinas ya en febrero, cuando también comienza a florecer la lavanda; Arbutus Unedo  L., el madroño, un bonito arbusto no raramente arbóreo en las cuencas de los arroyos, de hojas coriáceas, verde oscuras y brillantes, de 4 a 5 pulgadas de longitud y 1-1,5 de anchura, y capullos blancos con un pequeño mechón rojo intenso, que se cultiva por sus frutos comestibles''; Genista polyanthos , un arbusto espinoso de crecimiento tortuoso y con grandes racimos de flores amariposadas amarillento-doradas, que ya abren en febrero; Phillyrea angustifolia  L., etc.
Todos estos arbustos crecen asociados y constituyen unos matorrales en los que no obstante predomina la jara pringosa, y otras cistáceas (especialmente Cistus monspeliensis  L.), por lo que se han designado —muy correctamente— como «matorral de Cistus ». Dichos matorrales de Cistus  cubren ahora toda la Serra, hasta las pizarras silúricas, y sobre todo los esquistos...
En primavera, cuando florecen todos estos arbustos, la Serra  aparece como un jardín florido y las montañas onduladas relucen de lejos con tintes rojos, blancos y amarillos. En verano y otoño, por el contrario, la montaña aparece cubierta de un verde oscuro uniforme, que de lejos tiene una coloración negruzca 18l que no le da un aspecto alegre... La Serra está sólo escasamente poblada y, por tanto, poco cultivada. El cultivo se limita a legumbres, verduras y cereales, entre los que destacan trigo, centeno y cebada, si bien no están extendidos en suficiente cantidad; además se crían nogales y frutales centroeuropeos. Los frutales del sur prosperan, como ya se indicó, sólo en los valles más profundos y protegidos».
En la Sierra de Monchique  acomete la exploración de sus dos máximas elevaciones, Foia y Picota, cuya ascensión le permite observar grandes extensiones de castañares. Aquí, uno de los hechos que más le sorprende es el tipo de vegetación que encuentra en las partes más altas del pico Foia (que «no sobrepasa, según medidas portuguesas, los 3.800 pies»), equiparable a la existente en las zonas cacuminales de la «vecina Andalucía, con cotas de 5-6.000 pies», así como el hallazgo en la serranía de Rhododendron baeticum , taxón que menciona con especial interés:
«Entre la hojarasca húmeda de los castañares, por encima de Monchique, florece la bonita Primula acaulis  Brot. [ P. vulgaris ], de flores grandes, en bastante cantidad, y ya aquí me encontré con arbustos frondosos de Rhododendron ponticum  [ R. baeticum ], que en los días sucesivos, al ascender la Fóïa, encontré en los bordes de los arroyos y fuentes, y que según los habitantes de Monchique cubren también la parte inferior de las montañas hasta el fondo de los valles de Fóïa y Picóta [...] Este interesante arbusto de Oriente, cuya aparición en la Península es tan extraña y que, si no me equivoco, fue encontrado por primera vez por Mr. Barker Webb en las montañas de Algeciras —la única localidad conocida hasta ahora en la Península, en donde lo encontré igualmente en años anteriores—, se extiende por consiguiente aquí a través de tres climas diferentes sin presentar modificaciones significativas de su forma. Únicamente, aquí las hojas son más estrechas, pero más abundantes que en las montañas de Algeciras, donde sólo se encuentra en la región montañosa, así como a orillas de arroyos. Lo que más me extrañó fue observarlo ya en flor el 14 de febrero, mientras que en el año anterior, el 22 de marzo, apenas tenía algunos capullos en localidades más cálidas de las montañas de Algeciras».
Después de esta «fructífera visita a la región montañosa» Willkomm vuelve a la costa y visita la zona comprendida entre el Cabo de San Vicente y Faro, encontrando entre las poblaciones de Lagos y Villanova de Portimáo Allium subhirsutum  y Artemisia maritima  [sub Artemisia palmata ], «dos plantas que todavía no había visto en el Algarve». De allí volvería por fin a España.'
Rhododendron ponticum  ssp. baeticum , descrito por Willkomm em 1846 para o Algarve, existe apenas em duas populações disjunctas em Portugal, uma nas Matas Nacionais de Cambarinho (Serra de Caramulo - Vouzelas) e a outra na Serra de Monchique (Algarve). Ela ocorre em terrenos ácidos (pH 4-6.5) e presenta um dos raros núcleos de espécies relícticos do Plio-Pleistocénico constituindo o Habitat 92BO  (Florestas-galerias junto aos cursos de água intermitentes mediterrânicos com Rhododendron ponticum , Salix e outras espécies).
A espécie tem ainda um outro dos seus pequenos núcleos de distribuição no Sul da Espanha (Serra de Aljibe).
A distribuição principal da espécie ocorre no entanto actualmente, na Asia Menor. Na Europa ocidental Rhododendron  representa uma espécia relíquia do Plio-Pleistocénico quando a sua distribuição ainda foi contínua na Europa.
Distribuição de Rhododendron ponticum  , registos de pólens e perfís climáticos [53]
No entanto, Rhododendron ponticum   é uma espécie ameaçada de extinção e a sua existância no Sul da Espanha e Portugal pode estar perto do seu fim. Estudos recentes no Sul da Espanha demonstram que a população na Espanha está a envelhecer e em regresso. Uma continuação do aumento de temperaturas e de aridez no Sul da Península Ibérica, e com isso o desaparecimento dos seus habitats favoráveis, provavelmente não vai permitir a sobrevivência desta espécie no Sul-Oeste da Europa. No entanto, curiosamente, em outras regiões da Europa com climas mais favoráveis, esta espécie tornou-se recentemente invasora.
Rhododendron ponticum  - Reserva Botânica de Cambarinho-Vouzela [54]
Rhododendron ponticum  - Reserva Botânica de Cambarinho-Vouzela [55]
Rhododendron ponticum  - Reserva Botânica de Cambarinho-Vouzela [56]
Rhododendron ponticum subsp. baeticum , Monchique (Algarve) [57]
Rhododendron ponticum subsp. baeticum , Monchique (Algarve) [58]
Chamaerops humilis
Barranco na Praia da Falésia (Albufeira) - arenites do Plio- e Miocénico
Praia da Falésia e Pinhal do Conselho (Albufeira) [59]
Rochas calcárias do Triássico e Jurássico (Mesozóico) dominam no Algarve. Mas entre Portimão e Faro encontra-se uma costa com arenites coloridos em vermelho, branco e cores de castanho do Plio- e Miocénico (Cenozóico) como se vê nas fotos anteriores. Também existem intrusões de origem vulcãnica do Paleozóico, que deram origem à Serra de Monchique.
As rochas calcárias do Triássico e Jurássico do Algarve formam promontórios na parte oeste da costa onde as rochas de dolomite acabam abruptamente em acidentadas falésias,.ou descem no leste do Algarve com declives mais fracos para a costa arenosa com dunas e lagoas,
No norte da região as rochas carbonatadas chegam à superfície numa estreita cadeia de montanhas que protegem a linha costeira por sul dos ventos frios do norte (as “nortadas”). O Algarve é uma região com muito sol, temperada mesmo nas secas do verão pelos ventos do mar, enquanto os promontórios de Sagres e do Cabo St. Vincente no extremo sul-oeste, cobertos apenas por charnecas e na ausência de árvores, recebem integralmente a força dos ventos provenientes do atlântico.
O visitante do Algarve não pode deixar de tomar conta das obras dos trabalhadores da manutenção das estradas, dos ‘cantoneiros’ do Ministério Público e das margens “limpas” das estradas, frequentemente ornamentadas com acácias, marmeleiros e com cerejeiras rosadas, ligeiramente coloridas de cor de rosa em Março e Abril, lírios (sobretudo Iris albicans ) e alguns Iris germanica), Salvia officinalis , pelargónias, etc. A natureza também contribui com uma gama grande de flores silvestres que acompanham as margens das estradas, normalmente espécies mediterrânicas de distribuição extensa incluindo o abundante Narcissus bulbocodium ssp. obesus  , Narcissus papyraceus , os Asphodelus   Asphodelus morisianus   ( lusitanicus ) e A. aestivus   (a última começa a florir quando na primeira os frutos amadurecem) e A. fistulosus ; Gladiolus segetum  é abundante em campos abertos e G. illyricus  e Iris sisyrinchum em mato e prados.
Narcissus bulbocodium  ssp. obesus [60]
Iris sisyrhinchum [61]
As várias espécies de Erica  e Cistus , em especial C. ladanifer , são bem visíveis, juntos com Lithospermum diffusum  subsp. lusitanica  e outros associados de arbustivos de Cistus .
Cistus ladanifer
Lithodora prostrata Serra da Boa Viagem (Figueira da Foz)
Lithodora prostrata Serra da Boa Viagem (Figueira da Foz)
Mais tarde começam a entrar em flor as compostas amarelas de Chrysanthemum coronarium , normalmente a var. discolor  com flores bicoloridas, Chrysanthemum myconis   e a parecida Chrysanthemum macrotus  que tornam campos inteiros de cor amarela; e no verão alto aparecem os cardos Scolymus hispanicus  e Scolymus maculatus .
Chrysanthemum (Coleostephus) myconis
Exemplares altos amarelos de umbelíferas do género Thapsia  podem ser observados em Abril e março por todo lado.
Thapsia villosa (Serra da Boa Viagem, Figueira da Foz)
Outras espécies têm distribuição mais limitada e são confinadas à uma das três áreas contrastantes que se distingue no Algarve e que ocorrem numa distribuição em paralelo com a costa sul do Algarve, nomeadamente a zona costeira (littoral) , a zona de calcários (barrocal)  e as serras .

Willkomm  publica em 1852 a sua tese de agregação (Habilitationsschrift) sobre  as regiões costeiras e estepes da Península Ibérica (“ Strand-  und Steppengebiete de Iberischen Halbinsel und deren Vegetation ”) [62]  e publica neste trabalho também um mapa sobre “ Boden- und Vegetationsverhältnisse der Iberischen Halbinsel mit besonderer Berücksichtigung der Steppengebiete, Baum- und Strauchvegetation und der Culturgewächse ” que já reproduzimos na introdução do nosso trabalho. A seguir esta ampliado o segmento do mapa com a parte do Algarve em que Willkomm  menciona muitas das espécies que encontrou em 1846 quando visitou no âmbito da primeira expedição botânica à Península Ibérica:
Segmento do Algarve no Mapa “ Boden- und Vegetationsverhältnisse der Iberischen Halbinsel [63]   de Moritz Willkomm (Leipzig, 1852).
Entre outras espécies estão mencionadas Rhododendron ponticum   para o Monchique  e Erica australis ; E. lusitanica  e Lavandula viridis  para o barrocal e o resto das serras. Arthrocnemum fruticosum, Limoniastrum monopetalum, Inula crithmoides, Frankenia thymifolia, Aster Tripolium, Statice ferulaceum, Armeria pungens, Corema album e Ulex Boivini são indicadas para a parte costeira do Sotavento , Thymus camphoratus  para o Cabo São Vicente .
Para a Costa Vicentina  do Alentejo Willkomm  lista: Cistus ladaniferus , C. monspeliensis , C. populifolius , C. crispus , C. salvifolius , C. fastigiatus  etc; Helianthemum oxymoides , H. umbellatum , H. libanotis   etc; Rhamnus Alaternus , Rh. lycioides , Rh. infectorius , Pistacia therebinthus , Genisteae  variae, Myrtus communis , Phillyrea angustifolia , Ph. media , Arbutus Unedo , Erica australis , E. scoparia   etc.
Como plantas de cultivo Willkomm  indica Ceratonia Siliqua ;  e como plantas de cultivo com distribuição alargada na Península Ibérica: trigo e cevada,   Brassicarum varietates, Medicago sativa, Pisum sativum, Vicia Faba, Phaseolus vulgaris, Cucumis sativus, Cucurbita Pepo, Lactuca sativa, Cichorium Endivia, Cynara Scolymus, Solanum tuberosum, Lycopersicum esculentum, Cannabis sativa, Allium Porrum, A. cepa, A. sativum, Vitis vinifera, Pyrus Cydonia, Juglans regia, Castanea vesca.
Para o Sul da Espanha (provavelmente incluindo Portugal) Willkomm  menciona ainda: trigo, cevada, milho; Cicer arietinum , Cucumis melo,   C. citrullus , Capsicum annuum , Olea europaea , Auranticae , Morus alba   e   M. nigra , Amygdalus comunis , Ficus Carica , Opuntia vulgaris , Agave americana .

Estudos fitossociológicos no Algarve

Existem estudos fitossociológicos   para o Algarve: por exemplo, o trabalho de Werner Rothmaler [64]  para o Promotório de Sagres e Costa vicentina:   Promontorium Sacrum, Vegetationsstudien in südwestlichen Portugal. ;  os estudos da Universidade do Algarve para o Barrocal algarvio - Carlos J. Pinto Gomes e Rodrigo J. P. Paiva Ferreira .   Flora e Vegetação do Barrocal Algarvio (Tavira – Portimão) [65]  e o trabalho de J. C. Costa para a Ria Formosa [66] : Flora e Vegetação do Parque Natural da Ria Formosa .
Mas, como o trabalho de W. Rothmaler  já data de 1943 e como os trabalhos sobre o barrocal algarvio de Pinto Gomes e Paiva Ferreira  abrangem apenas a parte oriental do barrocal algarvio, há falta de trabalhos fitossociológicos actualizados e mais abrangentes. No entanto, os trabalhos existentes são de imenso valor para o conhecimento da flora algarvia.  É  d esejável a continuação destes trabalhos para uma conservação daquele que resta da paisagem característica do Algarve, resultado de uma interacção entre Homem e Natureza durante milénios.
Vegetação Natural Potencial do Algarve

Extrato da ‘Carta da Vegetação Natural Potencial da Europa’ (Bohn et. al 2002) [67]
O Algarve
Na ‘Carta da Vegetação Potencial Natural’ é indicada uma mancha de vegetação J41 [68]  para a formação J  das ‘florestas e matagais mediterranicas esclerofíticas’ que será exclusiva para o Cabo São Vicente :
J -  Mediterranean sclerophyllous forests and scrub
2 -  Thermo-Mediterranean sclerophyllous forests and xerophytic scrub ( Quercus suber, Q. ilex subsp. rotundifolia, Olea europaea, Ceratonia siliqua, Periploca angustifolia, Rhamnus lycioides )
2.3 -  Thermo-Mediterranean wild olive-locust tree forests ( Ceratonia siliqua, Olea europaea, Pistacia lentiscus )
J41 -  Algarvian Quercus coccifera-Juniperus phoenicea subsp . turbinata -forests with Rhamnus lycioides subsp. oleoides, Osyris lanceolata, Chamaerops humilis, Ulex erinaceus, Cistus palhinhae, Teucrium vincentinum
A  vegetação J38 [69]  é indicada para solos e rochas de calcário, para o barrocal do Algarve e para regiões do sul da Península Ibérica:
J38 -  Southwest Iberian Quercus ilex subsp . rotundifolia -forests with Smilax aspera  on carbonate rocks
É indicada a vegetação J36 [70]  em solos siliciosos no sul oeste de Portugal, incluindo a parte serrana do Algarve e para partes do sul da Espanha:
J36 -  South Lusitanian-Gaditanian cork oak forests (Quercus suber) with Myrtus communis  on siliceous rocks
Também é indicada uma pequena mancha de vegetação J35 [71]  em solos arenosos por Norte de Faro e outras zonas costeiras do sul-oeste da Península:
J35 -  Lusitanian-Onubense cork oak forests ( Quercus suber ) with Olea europaea  subsp. oleaster , Juniperus navicularis , Quercus faginea  subsp. broteroi on poor sandy soils
Para o Algarve também é indicada vegetação costeira e halofítica  P9 [72]  que é indicada em geral ao longo da costa atlántica e no interior da Península Ibérica
P -  Coastal vegetation and inland halophytic vegetation
1 -  Vegetation of coastal sand dunes and sea shores, often in combination with halophytic vegetation, partly with vegetation of rocky sea shores
1.4 -  Mediterranean sand-dune vegetation
P9 -  West Iberian Mediterranean sand-dune vegetation complexes with Elymus farctus  subsp. boreoatlanticus on fore-dunes, Ammophila arenaria subsp. arundinacea, Otanthus maritimus, Eryngium maritimum on white dunes , Crucianella maritima, Helichrysum italicum subsp.  serotinum, Armeria welwitschii, Artemisia campestris subsp.  maritima on grey dunes, partly with scrub (Rhamnus lycioides subsp. oleoides, Corema album, Juniperus phoenicea subsp.  turbinata, Pistacia lentiscus) with Rubia peregrina subsp.  longifolia, Osyris lanceolatus  (formerly P3b and P6a).
E é indicada também a vegetação halofítica P24 [73]  para zonas costeiras d sapais do Sul-Oeste da Espanha :
P24 -  West Iberian Mediterranean halophytic vegetation complexes with Spartina maritima, Sarcocornia perennis incl. subsp. alpini , S. fruticosa, Salicornia procumbens, S. europaea subsp. brachystachya, Cistanche phelypaea, Atriplex portulacoides, Arthrocnemum macrostachyum, Suaeda vera, Limoniastrum monopetalum.

História do Algarve - Território e Cultura [74]

O Algarve é uma região cujas características territóriais, faunísticas, florísticas e culturais são fortemente influenciadas pela interacção milenar entre Homem e Natureza. Existe um estudo histórico valióso de Rosa Varela Gomes  sobre Silves [75] [76] [77] , publicado pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico ( Igespar ) de Lisboa em 2002 que assenta sobre estes aspectos culturais.
Gravura inglesa com vista de Silves, datada de 1825.

Prehistória do Algarve

Existe boa documentação sobre a préhistória da Península Ibérica, por exemplo por H. N. Savory: “Espanha e Portugal (1985) [78] [79]   incluindo o Algarve. Um trabalho recente sobre “O Paleolitico superior do sudoeste da Peninsula Ibérica: o caso do Algarve” de Bicho et. al. (2010) [80] .
Localizações de sítios arqueológicos do Paleolítico superior no Algarve.

Palaeobotanica e Palinologia

Um trabalho muito valióso sobre a Paleobotânica e Palinologia da Península Ibérica é o trabalho de J osé Carrión (coordenador) et. al. : PALEOFLORA Y PALEOVEGETACIÓN DE LA PENÍNSULA IBÉRICA E ISLAS BALEARES: Plioceno-Cuaternario” - um projecto financiado pelo Ministério de Ciencia e Innovación da Espanha e publicado em 2012.
Nesta obra são incluidos 3 sítios de estudos para o Algarve: Morgadinho  (site 6); Castelejo  (site 21); e Beliche  (site 15 CM5):
Vista panorámica del Algarve en Portugal. Sítio de Morgadinho (sítio 6), Algarve
Situación del yacimiento de Castelejo (sítio 21) (Vila do Bispo, Portugal)
La llanura de inundación del Beliche (sítio 15), mirando hacia el sureste y el río Guadiana, Portugal

Veja à seguir: 2.1.1 A zona costeira (litoral) do Algarve

Veja também: O Alentejo


[3]  COSTA, J.C., AGUIAR, C., CAPELO, J.H., LOUSÃ, M., NETO, C., 1998.  Biogeografia de Portugal Continental . Quercetea 0. Lisboa, Portugal, 55pp.
[6]  WILLKOMM,  M.  (1896)  -   Grundzuege  der  Pflanzenverbreitung  auf  der  iberischen  Halbinsel. (Download)   In  Sammlung  von  Engler,  A.  und  Drud,  O.:   Die  Vegetation  der  Erde . Engelmann. Leipzig
[10]   Coordenadas:   37°12'9"N   6°56'11"W
[15]   Silene   bipartita  Desf. [ =   Silene   colorata   Poir.]. Caryophyllaceae
[21]   Flora Iberica  ->   Linaria polygalifolia subsp. polygalifolia Hoffmanns. & Link, Fl. Portug. 1: 248, pl. 44 (1811) = Linaria lusitanica sensu Lange in Willk. & Lange, Prodr. Fl. Hispan. 2: 573 (1870), p.p., non Mill.
[22]   Flora Iberica  -> Linaria spartea (L.) Chaz., Suppl. Dict. Jard. 2: 38 (1790) = Linaria praecox Hoffmanns. & Link, Fl. Portug. 1: 237, pl. 37 (1811), nom. illeg.
[23]   Flora Iberica  -> Linaria incarnata (Vent.) Spreng., Syst. Veg. 2: 796 (1825) = Linaria linogrisea Hoffmanns. & Link, Fl. Portug. 1: 239, pl. 41 (1811), nom. illeg.
[36]   Flora Iberica  -> Linaria spartea (L.) Chaz., Suppl. Dict. Jard. 2: 38 (1790) = Linaria praecox Hoffmanns. & Link, Fl. Portug. 1: 237, pl. 37 (1811), nom. illeg.
[40]  Flora Iberica -> Ophrys   sphegodes  subsp. atrata  Lindl. ex A. Bolòs [ =   Ophrys   sphegodes   Mill.].
[43]  provavelmente Paeonia broteri
[50]  Devesa Alcaraz JA & Viera Benítez MC   2001   Viajes de un botánico sajón por la Península Ibérica. Heinrich Moritz Willkomm (1821-1895)     Servicio de Publicaciones de la Universidad de Extremadura, Cáceres. 375 pp   PDF
[52]  Se refiere sin duda a Opuntia maxima  Miller, Gard. Dict. ed. 8, n° 5 (1768), pues O. vulgaris
Miller se encuentra naturalizada en la Península Ibérica sólo en el norte de España.
[59]  Foto tirada em ?1982
[64]  ROTHMALER, W. (1943) - Promontorium Sacrum, Vegetationsstudien in südwestlichen Portugal. Repert. Spec. Nov. Regni Veg. Beih. 128.
[65]  Carlos J. Pinto Gomes e Rodrigo J. P. Paiva Ferreira.   Flora e Vegetação do Barrocal Algarvio (Tavira – Portimão) .   ISBN 972-95734-9-2. Edição 2005.
[66]  COSTA, J. C. (1991) - Flora e Vegetação do Parque Natural da Ria Formosa. Tese de Dout. Univ. Tec. Lisb., Inst. Sup. Agro. Lisboa
[75]  GOMES, R. V. (2002) - Silves  ( Xelb), uma cidade do Gharb Al-Andalus : território e cultura . Lisboa: Instituto Português de. Arqueologia.
[79]   SAVORY - Espanha e Portugal  , Verbo 1985. (Título original: “Spain and Portugal”)

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