A Associação "Trilhos d'Esplendor" com sede na Praia de Quiaios, Figueira da Foz, pretende fazer em caminhadas guiadas uma descrição fotográfica da Flora da Serra da Boa Viagem e das Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas. Também mostramos o uso fito-terapêutico desta Flora cujo valor na medicina tradicional é bem conhecido na população local. São todos convidados para descobrir a beleza florística desta terra. Visitem uma das regiões mais importantes de biodiversidade de Portugal!

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"Polunin - Flowers of South-West Europe - revisited" (Vol. I - Introdução - 371 pp.) (->Download)

"Polunin - Flowers of South-West Europe - revisited" (Vol. II - Portugal - 1559 pp.) (-> Download)

(contains Web links to Flora-On for observed plant species, Web links to high resolution Google satellite-maps (JPG) of plant-hunting regions from the Iberian peninsula; illustrated text in Portuguese language)


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domingo, 19 de maio de 2013

Flowers of South-West Europe revisited - 2.12a - Beira Litoral

“Flowers of South-West Europe - a field guide” - de Oleg Polunin e B.E. Smythies
“Revisitas” de regiões  esquecidas no tempo - “Plant Hunting Regions” - a partir de uma obra de grande valor para o especialista e amador de botânica como da Natureza em geral.
Por
Horst Engels, Cecilia Sousa, Luísa Diniz, Nicole Engels, José Saraiva, Victor Rito
da
Associação “Trilhos d’Esplendor”
Extrato do “ Mapa de Solos e da Vegetação da Península Iberica .” -  Moritz Willkomm (1852) [1] [2]
Plantação de Pinus pinaster no Pinhal de Leiria [3]

2.12  Beira Litoral - O Pinhal de Leiria



2.12 Beira Litoral- O Pinhal de Leiria
2.12.1 Cabo Carvoeiro e Pinhal de Leiria
2.12.2 Vegetação potencial da Beira Litoral
2.12.3 Geologia - A região carstica da Bacia Lusitanica
2.12.4 Estuário do Mondego
2.12.5 Cabo Mondego e Serra da Boa Viagem
2.12.6 Dunas de Mira, Gândara e Quiaios
2.12.7 Terras de Sicó

2.12 O Pinhal de Leiria - Beira Litoral

Da Península de Setubal com a Serra da Arrábida , o Estuário do Sado   e o  Cabo Espichel pertencentes à província antiga de Estremadura, seguimos ao longo da costa atlântica portuguesa em direcção à região natural (antiga província) da Beira Litoral.  
Antiga Província da Beira Litoral 

 


 


A primeira paragem fazemos no Cabo Carvoreio da Península de Peniche (ainda na antiga província de Extremadura), com vista para as Ilhas das Berléngas. A seguir entramos no Pinhal de Leiria que já se encontra na antiga província da Beira Litoral. Mais tarde seguimos para Norte até ao Cabo Mondego com a cidade Figueira da Foz e o Estuário do Mondego, mas sobretudo com a maravilhosa Serra da Boa Viagem e as extensas Dunas de Mira, Gândara e Quiaios. Também fazemos paragem nas Terras de Sicó, uma região calcária mais por interior da Beira Litoral.





No Cabo Carvoeiro encontramos uma vegetação de mato psamófila e rasteira em paleo-dunas, típico da região e éndemica da Península Ibérica, com Juniperus turbinata, Stauracantus genistoides, Corema album e Calluna vulgaris, entre outras. E a paisagem deslumbrante de rochas calcárias com lapías maritimas!





Farol do Cabo Carvoeiro com vegetação psamófila nas paleo-dunas.






Vista para as Ilhas das Berlengas.




 
Stauracanthus genistoides




Vegetação das paleo-dunas. Na foto Juniperus turbinata, Corema album, Calluna vulgaris.





Frutos da Sabina da praia -  Juniperus turbinata




A urze Calluna vulgaris em flor.




Lapías maritimas nas paleo-dunas.




Thapsia villosa




Thapsia villosa




Lapías maritimas




Farol no Cabo Carvoeiro





As falésias do Cabo


Mais a frente, em direção para a praia do Baleal, encontramos a Capela da Nossa Senhora dos Remédios.



 
Capela de Nossa Senhora dos Remédios


A Capela de Nossa Senhora dos Remédios, localizada junto à costa no extremo ocidental da península de Peniche, constitui a base de um Santuário consagrado ao culto mariano. Desconhece-se a data de construção deste templo, supondo-se que terá sido edificado em data anterior ao séc. XVII.
Segundo a lenda, a imagem de Nossa Senhora terá sido encontrada no séc. XII escondida numa pequena caverna, situada no local onde hoje se ergue a ermida, tendo-se iniciado, a partir dessa data, o culto da chamada Senhora dos Remédios.
A importância deste culto traduzido em peregrinações anuais, os Círios, terá motivado a criação de um santuário no séc. XVII, composto pela referida capela e por uma praça fronteira orlada de casas onde se encontravam a residência do ermitão e dos mordomos, as hospedarias e as cavalariças.


















A seguir entramos no Pinhal de Leiria. Na Wikipedia podemos ler sobre o Pinhal de Leiria:

O Pinhal do Rei, Mata Nacional de Leiria, ou Pinhal de Leiria é uma floresta portuguesa. Tem 11.080 ha, abrangendo as freguesias de Marinha Grande e Vieira de Leiria, estando assim inserido única e totalmente no concelho da   Marinha Grande .
Em Portugal, o pinhal de Leiria marcou o início da plantação intensiva de monocultura do pinheiro bravo.
O pinhal foi inicialmente mandado plantar pelo rei   D. Afonso III  (e não por   D. Dinis  como se julga habitualmente) no século XIII, com o intuito de travar o avanço e degradação das dunas, bem como proteger os terrenos agrícolas da sua degradação devido às areias transportadas pelo vento, e que se tornara uma grande preocupação para os habitantes da região. Procedeu-se assim à sementeira de uma área extensa que acompanha o litoral. Alguns autores atribuem até o começo da plantação do pinhal a D. Sancho II.
Seria então mais tarde, entre 1279 e 1325, aumentado substancialmente pelo rei   D. Dinis , para as dimensões actuais.
Sempre que se procedia ao corte de árvores, esta era seguida de um replantação - desta forma o pinhal manteve-se intacto.
O pinhal de Leiria foi muito importante para os Descobrimentos Marítimos, pois a madeira dos pinheiros foi a usada para a construção das embarcações. O pez (alcatrão vegetal extraído dos pinheiros) foi ainda usado para proteger as caravelas, pelo que existem ainda fornos onde este era fabricado.
Mais tarde adquiria muita importância para o desenvolvimento económico e crescimento demográfico da região no século XVIII e XIX, uma vez que foi dos principais impulsionadores de indústrias como a construção naval, a indústria vidreira, metalurgia e produtos resinosos (através da extracção da goma dos pinheiros, no século XIX)- a madeira era usada tanto como matéria-prima como fonte de energia para as indústrias e habitações.
O pinhal continua ainda hoje como um local de lazer. Actualmente é possível circular dentro do pinhal. A mata é cerrada e permite muitas actividades ligadas à natureza, como passeios de bicicleta ou a pé. Ao longo das estradas que cortam o pinhal podemos encontrar vários miradouros, parques de merendas e fontes de água, sendo o local muito visitado durante o Verão. O pinhal é intersectado pela ribeira de Moel, que dá ao local um certo ar bucólico.
O pinhal tem muitas formações dunares.
A fauna do pinhal é dominada por coelhos e lebres, havendo também lontras, ouriços, raposas, texugos, toirões, saca-rabos, etc. No que respeita a aves, podemos encontrar corvos, gralhas, felosas, melros...
A flora do pinhal também é bastante variada. Para além do pinheiro bravo que domina a paisagem, há urzes brancas, fetos arbustivos, lentisco-bastardo, urzes rosadas e rosmaninho. No pinhal existem várias árvores de interesse público, como o eucalipto glóbulo ou o pinheiro serpente, bem como outras árvores de tamanho excepcional.
Hoje podemos encontrar o pinhal de Leiria dividido em 342 talhões, quase todos rectangulares (com excepção dos limítrofes) e com áreas aproximadamente iguais, de cerca de 35 ha. Estes talhões estão divididos por caminhos de areia, aos quais se dá o nome de aceiros (perpendiculares ao mar, identificados por letras de A a T, de Norte para Sul) ou arrifes (paralelos ao mar, identificados por números, entre 0 e 22, de Este para Oeste). Estes servem para um melhor ordenamento do território e também para impedir a propagação de incêndios florestais.
Mapa antigo do Pinhal de Leiria (Data?)
Pinhal de Leiria, 1940
Hoje as plantações do pinheiro bravo ( Pinus pinaster ) estão seriamente ameaçadas em Portugal devido à uma doença, a murchidão do pinheiro, que se propagou nos últimos anos (encontrada pela primeira vez em 1999 em Portugal) e que é causada por infestação com um nemátodo, Bursaphelenchus_xylophilus  .  Esta doença afecta sobretudo o pinheiro bravo.

Vegetação

Polunin & Smythies [4] [5] [6]  escrevem ( pp. 100-101):
12. Pinhal de Leiria and Coastal Beira
The coastal region of central Portugal forms a transitional area between the Mediterranean flora to the south and the truly Atlantic flora to the north. On the drier warmer calcareous soils up to 56 per cent of the plants are Mediterranean species; on the colder siliceous soils it is only about 36 per cent, while in the mountains in the interior the percentage is lower still .
The Pinhal de Leiria , and the salt marshes and lagoons of Aveiro  - Portugal's Little Holland - occupy low-lying sandy soils along the western seaboard. As early as the thirteenth century, during the reign of King Dinis the Labourer, plantations of Maritime pine have been grown in an attempt to keep the sand dunes at bay, and for timber. Today after six centuries of continuous afforestation bare sandy wastes still occur.
These landes are similar in general appearance to those of western France but contain many exclusively western European plants, particularly among the brooms, ericae, cistuses, and grasses. Driving on the narrow forest roads through this extensive area one sees uniform stands of Maritime pine of different ages, and evidence of intensive afforestation, which affords valuable timber and turpentine. Strips of rye, potatoes, and maize cultivation occur here and there; and in places stands of Eucalyptus globulus,  now grown to an enormous size, and Acacia melanoxylon  have been planted. It is a poor country which will support little permanent agriculture. Often the pine woods have a rich and well developed scrub layer which includes:


Eucalyptus globulus
Myopsporum laetum


In the more mature vegetation grow the taller Arbutus unedo , Viburnum tinus , Quercus coccifera  often with Phillyrea angustifolia , Pistacia lentiscus , and less commonly Rhamnus alaternus . and with the climbers Smilax aspera  and Rubia peregrina  growing up through the shrubs.


On the sand dunes near Praia da Vieira the following zones of vegetation occur as one passes from the coastal dunes to the stabilized forest inland. On the seaward side of the partly consolidated dunes, growing in blown sand are *Otanthus maritimus , Ammophila arenaria , Euphorbia paralias , Eryngium maritimum , and Crucianella maritima .


On the consolidated crests of the dunes, between the Marram grass, are mats of Crucianella maritima , bushes of Corema album , and the pink-flowered annual »Silene littorea , also Malcolmia Iittorea  and the Sea daffodil Pancratium maritimum . On the landward side of the dunes Halimium commutatum  soon makes its appearance, while the dune slacks themselves are colonized by dark thickets of Pinus pinaster only 2 m or so high.


In the stabilized areas an interesting assemblage of both western Atlantic and Mediterranean species occur including:


as well as Carpobrotus edulis  and Cryptostemma calendulacea  both native plants of the Cape of Good Hope and now widely naturalized on the littoral of the south-west.


Cryptostemma calendulacea
Ainda seja mencionado que nas falésias do Cabo Mondego  existe a rara e endémica Iris lusitanica  e nas Lagoas de Quiaios  as espécies Hypericum elodes , Drosera intermedia , Erica erigena , Myrica faya  e a Myrica gale  para mencionar apenas mais umas das espécies valiosas desta área.


Extrato da Carta Biogeográfica de Portugal (Costa et. al. 1998) [12] [13] [14]
Legenda para o extrato da
Carta Biogeográfica de Portugal (Costa et. al. 1998)
Biogeograficamente a Beira Litoral  pertence ao Sector Divisório Português  da Província Gaditano-Onubo-Algarviense.
J. C. Costa et. al.  (1998) [15]  caracterizam o Sector Divisório Português  ( 4A ) das seguinte forma:
O Sector Divisório Português  que se estende desde a Ria de Aveiro, prolonga-se para o interior pelo vale do Mondego até à base da Serra do Açor, seguindo a área de calcários até Tomar até atingir a Lezíria do rio Tejo. É um território litoral plano com algumas serras de baixa altitude, sendo a mais elevada a da Lousã com 1204 metros de altitude. Encontra-se quase todo situado no andar mesomediterrânico inferior de  ombroclima sub-húmido a húmido, com excepção das zonas litorais e olissiponenses que são termomediterrânicas superiores sub-húmidas. Possui alguns endemismos próprios ( Scrophularia grandiflora , Senecio doronicum  subsp. lusitanicus , Ulex jussiaei ), além dos exclusivos das unidades inferiores. No entanto, a maioria dos suas espécies endémicas são comuns com o Superdistrito Arrabidense , como por exemplo: Anthirrhinum linkianum , Arabis sadina , Iberis procumbens  subsp. microcarpa , Juncus valvatus , Pseudarrhenatherum pallens , Prunus spinosa  subsp. insititioides , Serratula   estremadurensis , Silene longicilia , Teucrium polium  subsp. capitatum , Thymus zygis  subsp. sylvestris , Ulex densus . Também ajudam a caracterizar o território Calendula suffruticosa  subsp. lusitanica , Hyacintoides   hispanica , Laurus nobilis , Leuzea longifolia , Quercus faginea  subsp. broteroi , Quercus lusitanica , Scilla   monophyllos , Serratula baetica  subsp. lusitanica , Serratula monardii . A vegetação é original, de onde se salientam os bosques de carvalho-cerquinho ( Arisaro-Quercetum broteroi ), os carrascais ( Melico arrectae-Quercetum cocciferae  e Quercetum coccifero-airensis ) e os arrelvados ( Phlomido lychnitidis-Brachypodietum phoenicoidis ), bem como os sobreirais ( Asparago aphylli-Quercetum suberis ), os matagais de carvalhiça ( Erico-Quercetum lusitanicae ), os tojais de tojo-durázio ( Lavandulo luisieri-Ulicetum jussiaei ), e também os carvalhais termófilos de carvalho-roble ( Rusco aculeati-Quercetum roboris viburnetosum tini ). A posição do Sector Divisório Português  não é pacífica, pois este já esteve incluido na Província Luso-Extremadurense  (RIVAS-MARTÍNEZ, 1985, LADERO et al. 1987), devido à sua vegetação potencial pertencer ao Quercion broteroi, mas no presente trabalho seguimos o critério de RIVAS-MARTÍNEZ et al. (1990). Possui dois Subsectores: o Beirense Litoral e o Oeste-Estremenho .
O Subsector Beirense Litoral  ( 4A1 ) é caracterizado da seguinte forma:
Beirense Litoral [16]  é um Subsector  essencialmente silicioso, com algumas ilhas calcárias (Serra da Boa Viagem e Cantanhede). A região costeira é mais ou menos plana mas torna-se acidentada em direcção ao interior. Estende-se a partir das areias e arenitos litorais de Leiria até à Ria de Aveiro, penetrando pelo vale do Mondego até à Serra do Açor. Encontra-se posicionada no andar mesomediterrânico com a excepção do vale do baixo Mondego a oeste de Coimbra que está no termomediterrânico e ombroclima subhúmido a húmido. O Narcissus scaberulus  é uma espécie endémica deste território, sendo os híbridos Quercus x coutinhoi (Q. robur x Q. faginea subsp. broteroi), Quercus x andegavensis (Q. robur x Q. pyrenaica) e Quercus x neomarei (Q. pyrenaica x Q. faginea subsp. broteroi) quase exclusivos do Beirense Litoral. Erica cinerea , Halimium alyssoides , Halimium ocymoides  e Pseudarrhremnatherum longifolium  são espécies diferenciais desta unidade. É a área por excelência dos carvalhais termófilos de carvalho-roble: Rusco aculeati-Quercetum roboris viburnetosum tini . A sua orla arbustiva é uma comunidade endémica em que domina o azereiro ( Prunus lusitanica ) - Frangulo alnae-Prunetum lusitanicae  - que muitas vezes se encontra em contacto já com o amial mesofítico Scrophulario-Alnetum glutinosae . O urzal Ulici minoris-Ericetum umbellatae  é uma das etapas regressivas do carvalhal mais abundantes. Contudo, grande parte do território é ocupada pelos bosques de sobreiro - Asparago aphylli-Quercetum suberis  - e pelas suas etapas subseriais: Erico-Quercetum lusitanicae  e Lavandulo luisieri-Ulicetum jussiaei ulicetosum minoris . A subassociação ulicetosum minoris da associação Lavandulo luisieri-Ulicetum jussiaei é endémica do Beirense Litoral, assim como os bosques do Arisaro-Quercetum broteroi quercetosum roboris  que se encontram nos calcários descalcificados desta área. No sapal do rio Mondego observam-se comunidades mediterrânicas, ainda que empobrecidas como o Inulo crithmoidis-Arthrocnemetum glauci , quer como associações atlânticas como o Limonio-Juncetum maritimi  e o Inulo crithmoidis-Elymetum pycnanthi.
O Subsector Oeste-Estremenho  ( 4A2 ) é caracterizado da seguinte forma:
O Subsector Oeste-Estremenho  é um território onde predominam as rochas calcárias duras do Jurássico e Cretácico com algumas bolsas de arenitos cretácicos. A maioria dos seus endemismos como já foi dito são comuns com o Arrabidense [17] . Contudo possui alguns táxones exclusivos como Armeria welwitschii subsp. welwitschii , Rhynchosinapis monensis  subsp. cintrana , Dianthus cintranus  subsp. barbatus , Limonium laxiusculum , Limonium multiflorum , Saxifraga cintrana , Ulex jussiaea  var. congestus . Por outro lado são diferenciais do território Bartsia aspera , Cistus albidus , Delphinum pentagynum , Fumana thymifolia , Genista tournefortii , Phlomis lychnitis , Prunella x intermedia , Prunella vulgaris  subsp. estremadurensis , Quercus x airensis , Salvia sclareoides , Sideritis hirsuta  var. hirtula , Ulex densus . Predominam as séries de vegetação dos carvalhais de carvalho cerquinho ( Arisaro-Quercetum broteroi — > Melico arrectae-Quercetum cocciferae  — > Phlomido lychitidis-Brachypodietum phoenicoides  — > Salvio sclaareoidis-Ulicetum densi ) e dos sobreirais ( Asparago aphylli-Quercetum suberis  — > Erico-Quercetum lusitanicae  —> Lavandulo luisieri-Ulicetum jussiaei ). As orlas dos carvalhais Vinco difformis-Lauretum nobilis , Leucanthemo sylvaticae-Cheirolophetum sempervirentis , Lonicero hispanicae-Rubetum ulmifoliae prunetosum insititioidis , os tojais Salvio sclareoidis-Ulicetum densi ulicetosum densi  e Daphno maritimi-Ulicetum congesti , a associação dunar Armerio welwitschii-Crucianellietum maritimi  e a comunidade casmofítica aero-halina Limonietum multiflori-virgatae  são endémicas deste Subsector. A aliança Calendulo-Anthirrinion linkiani  com a associação Sileno longiciliae-Anthirrhinetum linkiani , a comunidade nitrófila de muros Centranthi rubi-Anthirrhinetum linkiani  e o juncal de solos calcários mal drenados Juncetum acutifloro-valvati , apesar de comuns com o Arrabidense , tem a maior expressão nesta unidade. O Estremenho , Olissiponense , Sintrano , Costeiro Português  e Berlenguense  são os Superdistritos  que ocorrem nesta unidade.
O Superdistrito Costeiro Português  ( 4A21 ) é caracterizado da seguinte forma:
O Superdistrito Costeiro Português  é um território litoral de areias e arribas calcárias, que se estende desde a Ria de Aveiro até ao Cabo da Roca. É essencialmente termomediterrânico. Armeria welwitschii subsp. cinerea e Limonium plurisquamatum são endémicos deste Superdistrito, e Armeria welwitschii  subsp. welwitschii , Corema album , Halimium halimifolium , Halimium calycinum , Herniaria maritima , Iberis procumbens , Juniperus turbinata , Limonium multiflorum , Linaria caesia  subsp. decumbens , Stauracanthus genistoides , Ulex europaeus  subsp. latebracteactus  são alguns dos táxones diferenciais desta unidade. É neste Superdistrito, na zona de Peniche, que se encontra a fronteira entre o Otantho-Ammophiletum australis  e o Loto cretici-Amophiletum australis . Estas duas comunidades, são de óptimo eurosiberiano (atlântico) e mediterrânico respectivamente, o que atesta o encontro neste território das vias migratórias litorais atlântica (descendente) e mediterrânica (ascendente). As suas dunas são a área preferencial de distribuição da comunidade de “ duna cinzenta” Armerio welwitschii-Crucianellietum maritimae . Os sabinais Osyrio quadripartitae-Juniperetum turbinatae  e Querco cocciferae- Juniperetum turbinatae  são as comunidades permanentes respectivamente das dunas e das arribas calcárias respectivamente. Ainda nestas arribas também se observam os tojais Daphno maritimi-Ulicetum congesti , Salvio sclareoidis-Ulicetum densi ulicetosum densi  e as comunidades casmofíticas aero-halinas Limonietum multiflori-virgati  e Dactylo marini-Limonietum plurisquamati , esta última endémica do superdistrito. Outras comunidades exclusivas deste território são: o mato psamofílico Stauracantho genistoidis-Coremetum albi  e o medronhal dunar de carácter oceânico Myrico faiae-Arbutetum unedonis  inéd.. Também ocorrem algumas lagoas, cuja vegetação hidrofítica se assemelha à que surge no Superdistrito Sadense.
O Superdistrito Estremenho (4A23) é caracterizado da seguinte forma :
O Superdistrito Estremenho  é essencialmente calcícola com algumas bolsas de arenitos e situa-se no andar mesomediterrânico inferior húmido a sub-húmido. Possui uma uma cadeia de serras calcárias de baixa altitude que não ultrapassam os 670 m, (Serras do Sicó, Rabaçal, Alvaiázere, Aire, Candeeiros e Montejunto). A zona mais costeira é mais baixa, e tem um relevo ondulado de pequenas colinas. Asplenium ruta-muraria , Biarum arundanum , Cleonia lusitanica , Micromeria juliana , Narcissus calcicola , Quercus rotundifolia  e Scabiosa turolensis  são táxones que ocorrem neste Superdistrito e ajudam a caracterizá-lo. Além das séries de vegetação do carvalho-cerquinho ( Arisaro-Querceto broteroi S. ) e do sobreiro ( Asparago aphylli-Querceto suberis S. ), possui uma outra série florestal original. Esta série mesomediterrânica sub-húmida é encimada por bosques de azinheiras instaladas em solos derivados de calcários cársicos ( Lonicero implexae-Quercetum rotundifoliae  — > Quercetum cocciferae-airensis  — > Teucrium capitatae-Thymetum sylvestris ). A vegetação rupícola calcícola ( Asplenietalia petrachae-Narciso calcicolae-Asplenietum ruta-murariae ) tem um carácter algo distinto no contexto da Província. O juncal e a vegetação rupícola calcícola assinaladas para o Subsector são vulgares neste Superdistrito.

2.12.2 A Vegetação potencial da Beira Litoral

A vegetação potencial da Beira Litoral (Bohn 2002)
A vegetação potencial da Beira Litoral de Portugal é constituida por vários complexos: na parte de terrenos com substratos de silíceo, sobretudo dunas móveis e fixas, encontramos os complexos P9, J25 e J35 que são por Norte da Ria de Aveiro substituidos pela associação F14. Nas terras calcárias e cársticas ainda encontra-se a componente G75 que se extende também pela Serra da Boa Viagem até ao Cabo Mondego.

Complexo de vegetação P9

P -  Coastal vegetation and inland halophytic vegetation
1 -  Vegetation of coastal sand dunes and sea shores, often in combination with halophytic vegetation, partly with vegetation of rocky sea shores
1.4 -  Mediterranean sand-dune vegetation
P9 -  West Iberian Mediterranean sand-dune vegetation complexes with Elymus farctus  subsp. boreoatlanticus  on fore-dunes, Ammophila arenaria  subsp. arundinacea , Otanthus maritimus , Eryngium maritimum  on white dunes, Crucianella maritima , Helichrysum italicum  subsp. serotinum , Armeria welwitschii , Artemisia campestris  subsp. maritima  on grey dunes, partly with scrub ( Rhamnus lycioides subsp. oleoides , Corema album , Juniperus phoenicea  subsp. turbinata , Pistacia lentiscus ) with Rubia peregrina  subsp. longifolia , Osyris lanceolatus  (formerly P3b and P6a)
Complexo de vegetação P9 [18]  
West Iberian Mediterranean sand-dune vegetation complexes

Complexo de vegetação G75

G -  Thermophilous mixed deciduous broad-leaved forests
4 -  Iberian supra- and meso-Mediterranean Quercus pyrenaica , Q. faginea , Q. faginea subsp. broteroi  and Q. canariensis  forests
4.3 -  Portuguese meso-Mediterranean basiphilous Quercus faginea subsp. broteroi -forests
G75 -  Middle Portuguese meso-Mediterranean basiphilous Quercus faginea subsp. broteroi -forests with Arisarum simorrhinum
Complexo de vegetação G75 [19]
Meso-Mediterranean basiphilous Quercus faginea subsp. broteroi -forests

Complexo de vegetação J25

J -  Mediterranean sclerophyllous forests and scrub
1 -  Meso- and supra-Mediterranean as well as relict sclerophyllous forests ( Quercus ilex , Q. ilex  subsp. rotundifolia , Q. coccifera , Q. suber , Pistacia lentiscus )
1.3 -  Cork oak forests ( Quercus suber )
J25 -  Southwest Iberian meso-Mediterranean cork oak forests ( Quercus suber ) with Sanguisorba hybrida , Paeonia broteroi
Complexo de vegetação J25 [20]
Meso-Mediterranean cork oak forests ( Quercus suber )

Complexo de vegetação J35

J -  Mediterranean sclerophyllous forests and scrub
2 -  Thermo-Mediterranean sclerophyllous forests and xerophytic scrub ( Quercus suber , Q. ilex  subsp. rotundifolia , Olea europaea , Ceratonia siliqua , Periploca angustifolia , Rhamnus lycioides )
2.1 -  Thermo-Mediterranean cork oak forests ( Quercus suber )
J35 -  Lusitanian-Onubense cork oak forests ( Quercus suber ) with Olea europaea  subsp. oleaster , Juniperus navicularis , Quercus faginea  subsp. broteroi  on poor sandy soils
Complexo de vegetação J35 [21]
Lusitanian-Onubense cork oak forests ( Quercus suber )

Complexo de vegetação U30

U -  Vegetation of flood-plains, estuaries and fresh-water polders and other moist or wet sites
4 -  Mediterranean-sub-Mediterranean wet lowland and alluvial forests and scrub ( Fraxinus angustifolia  s. l., F. pallisae , Platanus orientalis , Phoenix theophrasti , Nerium oleander , Tamarix spp.)
U30 -  Iberian meso- to thermo-Mediterranean hardwood alluvial forests ( Fraxinus angustifolia  subsp. angustifolia , Ulmus minor ) in combination with willow and poplar alluvial forests ( Populus alba , Salix atrocinerea , S. x rubens , Rubia tinctorum , partly Tamarix gallica )
Complexo de vegetação U30 [22]
Iberian meso- to thermo-Mediterranean hardwood alluvial forests
( Fraxinus angustifolia  subsp. angustifolia , Ulmus minor )

Complexo de vegetação F14

F -  Mesophytic deciduous broad-leaved and mixed coniferous-broad-leaved forests
1 -  Species-poor acidophilous oak and mixed oak forests ( Quercus robur , Q. petraea , Q. pyrenaica , Pinus sylvestris , Betula pendula , B. pubescens , B. pubescens  subsp. celtiberica , Castanea sativa )
1.2 -  Colline-submontane types
F14 -  Galician-north Lusitanian hyperoceanic pedunculate oak forests ( Quercus robur , partly Q. pyrenaica , Q. suber ) with Laurus nobilis , Viburnum tinus , Pyrus cordata, Daboecia cantabrica, Andryala integrifolia

Complexo de vegetação F14 [23]
Galician-north Lusitanian hyperoceanic pedunculate oak forests
( Quercus robur , partly Q. pyrenaica , Q. suber )

Veja à seguir : 12.  Beira Litoral - Continuação


[4]  Oleg Polunin, Bertram Evelyn Smythies: Flowers of South-West Europe : A Field Guide . Oxford University Press, 1973
[5]  Tradução espanhola do livro: Guía de campo de las flores de España, Portugal y sudoeste de Francia
Author: Oleg Polunin; Bertram E. Smythies Publisher: Barcelona : Ediciones Omega, 1977.
[7]  sin. Lithodora prostrata  (Loisel.) Griseb.
[8]  também existe nesta área a espécie Lavandula pedunculata
[9]  O cheiro maravilhoso que se sente entre Junho e Julho nas dunas secundárias onde esta espécie ( Crucianella maritima ) aparece deve-se sobretudo à esta planta ( Crucianella maritima ) da família de Rubiaceae .  Outras espécies da família de Rubiaceae a que pertencem muitas espécies aromàticas e que com mais do que 10.000 espécies é a quarta maior família dos cormófitos, são as espécies do cafeeiro  ( Coffea sp. ) e a espécie Galium odoratum  que contém coumarin  dos benzopyrenes e que é usado em bebidas alcoólicas como a “Maibowle”.
[10]  sin. Halimium calycinum
[11]  sin. Pterospartum tridentatum
[16]  A inserção biogeográfica desta unidade põe alguns problemas. Este território que corresponde grosso modo, à superfície de erosão do rio Mondego, não possui barreiras orográficas importantes orientadas no sentido W-E.
Deste modo, é provável, que durante todo o final do Quaternário (Holoceno) a oscilação do limite entre os macroclimas Temperado e Mediterrânico tenha levado à alternância sucessiva da ocupação deste território por vegetação mediterrânica (bosques esclerófilos perenifólios) e eurosiberiana (bosques caducifólios). A referida ausência de barreiras orográficas transversais ao sentido das variações climáticas e concomitantemente das constantes migrações sucessivas de floras mediterrânicas (no sentido N) e temperadas (no sentido S), concorreram para a grande heterogeneidade da sua paisagem vegetal. Assim, constata-se que actualmente a maioria da área se situa no macroclima mediterrânico, apesar das numerosas ilhas temperadas (submediterrânicas) que ocorrem ainda nas cotas mais elevadas (e.g. Serra da Lousã). Nestas últimas, e dependendo da exposição, os clímaces climatófilos são bosques de Quercus robur  (temperado), enquanto que o restante território está ocupado pela Quercus suber (mediterrânico). Nos territórios claramente mediterrânicos, a Q. robur  só surge em biótopos edafo-higrófilos com água no solo de origem freática (freixiais com carvalhos). A análise das geoséries (ômbricas) do território comprova largamente a “ subida” recente da vegetação mediterrânica. Sobretudo nas etapas sub-seriais dominam elementos mediterrânicos divisório-portugueses (e em geral gaditano-onubo-algarvienses) e.g. Ulex jussiaei , Quercus lusitanica , etc. No sub-bosque dos carvalhais robles são co-dominantes elementos próprios da classe Quercetea ilicis  ( Rubia peregrina, Smilax aspera, Viburnum tinus, Phillyrea latifolia , etc.), o que demonstra igualmente a colonização recente desta unidade pelo mundo mediterrânico. Deste modo, a posição biogeográfica alternativa desta Região seria, pelas razões expostas, no Sector Galaico-Português . Optámos, no entanto, pela sua colocação no Sector Divisório-Português  por uma questão de consistência com a tendência dominante da evolução da vegetação no território. O corte de bosques, a erosão dos solos e a consequente xerofilização dos biótopos acelerou a entrada dos elementos e da vegetação mediterrânica.
[17]  A lógica da classificação biogeográfica exige a continuidade espacial das unidades, pelo que se situa o Superdistrito Arrabidense no Ribatagano-Sadense, que o envolve completamente. Sem esta exigência formal, este Superdistrito seria naturalmente afectado ao Sector Divisório-Português.
[31]  António Campar de Almeida - “ Dunas de Quiaios, Gândara e Serra da Boa Viagem ”. Fundação Calouste Gulbenkian. 1997.
[37]  Na zona do Rabaçal – Penela, conseguimos avistar o  Monte Jerumelo  e o Castelo de Germanelo .
Dois montes com valor histórico. Além disto desde pequena que ouvia falar no seguinte:
“Ligada ao   Castelo de Germanelo , surge uma lenda “ IRMÃOZINHOS ” – Conta a lenda que em cada um dos montes habitava um ferreiro – os irmãos Germanelo (a norte) e Jerumelo (a sul). Os seus pais seriam pobres, não teriam mais que deixar a estes irmãos do que apenas duas forjas, um martelam e a arte de trabalhar.
Estando cada um em seu monte com a sua respectiva forja, o martelo serviria alternadamente.
A curta distância entre o topo dos dois montes permitia que os irmãos, dois gigantes, atirassem o martelo um ao outro quando dele precisavam.
Assim, nas redondezas escutar-se-ia com frequência os dois ferreiros a comunicarem entre si -“Germanelo passa para cá o martelo” e em contraposição – “Jerumelo, atira para cá outra vez o malho”.
Um dia, Jerumelo zangou-se com o irmão e atirou-lhe o martelo com tanta força que este se desconjuntou, caindo o ferro na encosta do monte Germanelo, fazendo brotar uma fonte de água férrea de onde surgiu a povoação da Fartosa (em 1160 dizia-se Ferratosa e em 1420 já era designada por Ferretosa). O cabo de madeira de zambujo, mais leve, foi espetar-se numa terra a dois quilómetros de distância, fazendo nascer um zambujo, originando o nome da povoação de Zambujal.
[38]  COUTINHO, António Xavier Pereira (1939) -   Flora de Portugal : plantas vasculares.- 2ª ed.- Lisboa : Bertrand, 1939. 

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