A Associação "Trilhos d'Esplendor" com sede na Praia de Quiaios, Figueira da Foz, pretende fazer em caminhadas guiadas uma descrição fotográfica da Flora da Serra da Boa Viagem e das Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas. Também mostramos o uso fito-terapêutico desta Flora cujo valor na medicina tradicional é bem conhecido na população local. São todos convidados para descobrir a beleza florística desta terra. Visitem uma das regiões mais importantes de biodiversidade de Portugal!

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"Polunin - Flowers of South-West Europe - revisited" (Vol. I - Introdução - 371 pp.) (->Download)

"Polunin - Flowers of South-West Europe - revisited" (Vol. II - Portugal - 1559 pp.) (-> Download)

(contains Web links to Flora-On for observed plant species, Web links to high resolution Google satellite-maps (JPG) of plant-hunting regions from the Iberian peninsula; illustrated text in Portuguese language)


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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Flowers of South-West Europe revisited - 24.1 - Alto Alentejo

“Flowers of South-West Europe - a field guide” - de Oleg Polunin e B.E. Smythies
“Revisitas” de regiões  esquecidas no tempo - “Plant Hunting Regions” - a partir de uma obra de grande valor para o especialista e amador de botânica como da Natureza em geral.
Por
Horst Engels, Cecilia Sousa, Luísa Diniz, Nicole Engels, José Saraiva; Victor Rito
da
Associação “Trilhos d’Esplendor”

24.1 Alto Alentejo

 
       

24. Alentejo
Estepe ceralífera
Faixa piritosa ibérica
24.3 Alentejo Litoral

Marvão, Alto Alentejo [1]

2 4.1 Alto Alentejo

D istingue-se a sub-região estatística do Alto Alentejo da província com a mesma designação:
O Alto Alentejo  é uma sub-região estatística portuguesa, parte da Região   Alentejo , que corresponde por completo o   Distrito de Portalegre , exceto o concelho de   Sousel  e também engloba um concelho do   Distrito de Évora ,   Mora . Limitado a norte pelo   Pinhal Interior Sul  e pela   Beira Interior Sul , a leste pela   Espanha , a sul pelo   Alentejo Central  e a oeste pela   Lezíria do Tejo  e pelo   Médio Tejo . Tem uma área de 6.230 km² e uma população estimada em 118.352 habitantes (Censos 2011).
Antiga divisão de Portugal em 6 províncias
Províncias de Portugal em 1936
É então constituído por 29   concelhos , integrando todo o   distrito de Évora  e todo o   distrito de Portalegre . Tem a sua sede na cidade de   Évora .
  1. Distrito de Évora :   Alandroal ,   Arraiolos ,   Borba ,   Estremoz ,   Évora ,   Montemor-o-Novo ,   Mora ,   Mourão ,   Portel ,   Redondo ,   Reguengos de Monsaraz ,   Vendas Novas ,   Viana do Alentejo  e   Vila Viçosa .
  1. Distrito de Portalegre :   Alter do Chão ,   Arronches ,   Avis ,   Campo Maior ,   Castelo de Vide ,   Crato ,   Elvas ,   Fronteira ,   Gavião ,   Marvão ,   Monforte ,   Nisa ,   Ponte de Sôr ,   Portalegre  e   Sousel .
Biogeograficamente o Alentejo insere-se nas províncias Luso-Estremadurense  e   Gaditano-Onubo-Algarviense.
Sinopse biogeográfica de Portugal [2] [3]
Costa et al. (1998) escrevem [4] :
A Província   Luso-Extremadurense  é das maiores da Península Ibérica. Ela divide-se nos sectores Toledano-Tagano  e Mariânico-Monchiquense . Em Portugal encontra-se quase toda ela em solos derivados de materiais siliciosos paleozóicos - maioritariamente xistos ou granitos - e no andar bioclimático mesomediterrânico. Os seus limites no nosso país, em alguns locais são algo difíceis de estabelecer especialmente com o Sector Ribatagano-Sadense . As sua fronteiras são:
a norte - Serras da Lousã, Açor, Estrela, Malcata;
a oeste - uma linha que passa pela Serra da Lousã, leste das serras calcárias de Condeixa a Tomar, Serra da Amêndoa, Amieira (rio Tejo), Ribeira de Sor, Vale do Sorraia, areias miocénicas e plistocénicas, Vale do Sado, Serras de Grândola, Cercal e Espinhaço de Cão;
a sul - os calcários do Barrocal algarvio.
Armeria linkiana *, Asphodelus bentorainhae *, Asparagus acutifolius , Ballota hirsuta , Buffonia willkolmmiana *, Carduus bourgeanus *, Cistus psilosepalus , Cistus populifolius  s.l., Cytisus scoparius var . bourgaei *, Cytisus striatus var . eriocarpus , Cynara tournefortii *, Digitalis mariana , Digitalis purpurea subsp. heywoodii *, Echium rosulatum , Euphorbia monchiquensis *, Genista hirsuta subsp.  hirsuta , Genista polyanthos *, Lavandula viridis *, Lepidophorum repandum , Linaria hirta , Linaria ricardoi *, Marsilea batardae *, Onopordum nervosum , Retama sphaerocarpa , Rhynchosinapsis hispida subsp.  transtagana *, Salix salvifolia subsp.  australis , Sanguisorba hybrida , Securinega tinctoria , Scorzonera crispatula , Scrophularia schousboei *, Ulex argenteus subsp.  argenteus , Ulex eriocladus * e Verbascum barnadesii  são algumas das espécies que tendem a ocorrer maioritariamente nesta Província. Os táxones com * são endémicos do território.
É a área óptima dos estevais pertencentes à aliança Ulici-Cistion argentei . São próprios deste território os sobreirais mesomediterrânicos do Sanguisorbo agrimoniodis-Quercetum suberis , os azinhais do Pyro bourgaenae-Quercetum rotundifoliae  e os carvalhais do Arbuto unedonis-Quercetum pyrenaicae,  na maioria das vezes transformados em montados, bem como os medronhais do Phillyreo-Arbutetum typicum  e viburnetosum tini , os estevais do Genisto hirsutae-Cistetum ladaniferi , Erico australis-Cistetum populifolii  e Polygalo microphyllae-Cistetum populifolii . O tamujal dos leitos de estiagem dos rios torrenciais - Pyro bourgaeanae-Securinegetum tinctoriae  - constitui também uma das suas originalidades sintaxonómicas. Nos montados desenvolvem-se comunidades terofíticas efémeras e de pouca biomassa: Trifolio cherleri-Plantaginetum bellardii , Chrysanthemo myconis-Anthemidetum fuscati , Galactito tomentosae-Vulpietum geniculatae , Trifolio cherlerii-Taeniatheretum caput-medusae  e Medicago rigidulae-Aegilopsietum geniculatae . O pastoreio destas comunidades anuais origina frequentemente um prado vivaz ( Poo bulbosae-Trifolietum subterranei ). O freixial ribeirinho Ranunculo ficario-Fraxinetum angustifoliae  ocorre em todo o território luso-extremadurense português, sendo o amial Scrophulario-Alnetum glutinosae  comum em biótopos ripícolas.
Extrato da Carta biogeográfica de Portugal Continental. Costa et. al. (1998) [5] [6]
Na Carta Biogeográfiaca de Portugal de Costa et al.  (1998) vemos que os sectores Toledano-Tagano  e Mariânico-Monchiquense  da Província Luso-Extremadurense podem ser subdivididados ainda mais:
3A SECTOR TOLEDANO-TAGANO
3A1 SUBSECTOR HURDANO-ZEZERENSE
3A11 SUPERDISTRITO ZEZERENSE
3A12 SUPERDISTRITO CACERENSE
3A2 SUBSECTOR ORETANO
3B SECTOR MARIÂNICO-MONCHIQUENSE
3B1 SUBSECTOR ARACENO-PACENSE
3B11 SUPERDISTRITO ARACENENSE
3B12 SUPERDISTRITO PACENSE
3B13 SUPERDISTRITO ALTO ALENTEJANO
3B2 SUBSECTOR BAIXO ALENTEJANO-MONCHIQUENSE
3B21 SUPERDISTRITO SERRANO-MONCHIQUENSE
3B22 SUPERDISTRITO BAIXO ALENTEJANO
O Sector Toledano-Tagano   divide-se nos Subsectores Hurdano-Zezerense  e Oretano  e  o Sector Mariâno-Monchiquense  nos Subsectores Araceno-Pacense  e Baixo Alentejano-Monchiquense .
Enquanto o Sector Toledano-Tagono caracteriza biogeograficamente e floristicamente partes das antigas províncias (administrativas) Beira Baixa  e Alto Alentejo , o Sector Mariâno-Monchiquense  caracteriza a parte sul da província Alto Alentejo  e a província do Baixo Alentejo .
Costa et al. (1998) [7]  caracterizem o Sector Toledano-Tagano  da seguinte forma:
O Sector Toledano-Tagano  é dominado por solos graníticos, xistosos e quartzíticos e situa-se no andar mesomediterrânico seco a sub-húmido. Cytisus multiflorus , Dianthus scaber  subsp. toletanus , Loeflingia hispanica , Retama sphaerocarpa , Quercus pyrenaica , Halimium ocymoides , Polygala microphylla , e Ornithogalum concinnum  são espécies dominantes na paisagem vegetal, que diferenciam este Sector, em Portugal. É neste território que o “carvalhal-negral” luso-extremadurense - Arbuto unedonis-Quercetum pyrenaicae  - tem maior expansão em Portugal. Além dos bosques e matos próprios da Província, há que considerar os abundantes giestais do Cytiso multiflori-Retametum sphaerocarpae  e o urzal / esteval Halimio ocymoidis-Ericetum   umbellatae . Encontra-se dividida em dois Subsectores: o Hurdano-Zezerense  e o Oretano .

Cytisus multiflorus
Dianthus scaber  subsp. toletanus
Loeflingia hispanica
Retama sphaerocarpa
Quercus pyrenaica
Halimium ocymoides
Polygala microphylla
Ornithogalum concinnum
O Subsector Hurdano-Zezerense  inclui algumas serras que ultrapassam ligeiramente os 1000 metros como as serras de Gardunha, Muradal, Alvelos, Vermelha, e Malcata, o vale do Zêzere ( Superdistrito Zezerense ), a campina de Castelo Branco / Idanha-a-Nova, Penha Garcia, as arribas do Tejo, e a zona de Niza / Fronteira ( Superdistrito Cacerense ). Asphodelus bento-rainhae , Euphorbia welwitschii , Festuca duriotagana , Juniperus oxycedrus , Malcolmia patula , Celtis australis , Halimium alyssoides , Retama sphaerocarpa  e Petrorhagia saxifraga  são plantas diferenciais deste Subsector em face dos territórios portugueses vizinhos, sendo a primeira espécie endémica da Serra da Gardunha. Ao nível superdistrital distinguem-se dois Superdistritos: o Zezerense  e o Cacerense .

Asphodelus bento-rainhae
Euphorbia welwitschii
Festuca duriotagana
Juniperus oxycedrus
Malcolmia patula
Celtis australis
Halimium alyssoides
Retama sphaerocarpa
Petrorhagia saxifraga
O Superdistrito Zezerense  situa-se no andar mesomediterrânico sub-húmido, onde ocorrem os sobreirais climatófilos do Sanguisorbo-Quercetum suberis  e as suas etapas subseriais: Phillyreo-Arbutetum unedonis viburnetosum tini , Erico australis-Cistetum populifolii  e Halimio ocymoidis-Ericetum umbellatae . No mesomediterrânico superior subhúmido a húmido assinala-se o carvalhal Arbuto unedonis-Quercetum pyrenaicae genistetosum falcatae , a sua orla Vincetoxico nigri-Origanetum virentis  e o respectivo mato de degradação Polygalo microphylii-Cistetum populifolii [8] .
O Superdistrito Cacerense  situa-se no andar mesomediterrânico seco a sub-húmido inferior. A vegetação climatófila pertence à série do azinhal Pyro bourgaenae-Quercetum rotundifoliae . São diferenciais deste Superdistrito as orlas nanofanerofíticas retamóides do Cytiso multiflori-Retametum sphaerocarpae , o carrascal Rhamno fontqueri-Quercetum cocciferae  e o esteval Genisto hirsutae-Cistetum ladaniferi . Nas zonas graníticas mais rochosas encontra-se o rosmaninhal Scillo-Lavanduletum sampaionae . Nos alcantis quartzíticos do Tejo, a comunidade permanente edafoxerófila é dominada por Juniperus oxycedrus  ( Rubio longifoliae-Juniperetum oxycedri ), o que constitui um traço característico deste território em face dos vizinhos.
O Subsector Oretano  está representado em Portugal pela Serra de S. Mamede. Esta unidade situa-se no andar mesomediterrânico húmido a sub-húmido, e os solos dominantes têm origem granítica, xistosa e quartzítica. A serra de S. Mamede ultrapassa os 1000 metros de altitude tem uma forte influência oceânica, porque não existe qualquer barreira orográfica significativa até ao oceano Atlântico, ficando por isso exposta aos efeitos dos ventos húmidos dominantes de Oeste e Sudoeste. Não é, por isso de estranhar o aparecimento de certos elementos atlânticos (e carpetano-iberico-leoneses mais oceânicos) na sua flora: Polygonatum odoratum , Quercus robur , Ulex minor , Drosera intermedia , etc.. A Armeria x francoi  ( A. beirana x  A. transmontana ), Aquilegia dichroa , Castanea sativa , Cytisus multiflorus , Euphorbia amygdaloides , Genista falcata , Halimium umbellatum , Linaria triornithophora , Luzula lactea , Pulmonaria longifolia , Quercus x  neomarei , Quercus pyrenaica , Silene coutinhoi , Viola kitaibeliana  subsp. machadeana  são outras espécies que caracterizam este Subsector em face dos vizinhos. É neste Subsector que abundam os carvalhais do Arbuto-Quercetum pyrenaicae , as orlas Vincetoxico-Origanetum virentis linarietosum trionithophorae , Cytisetum multiflori-eriocarpi genistetosum falcatae , e os tojais Halimio umbellati-Ulicetum minoris . Os territórios menos continentais estão ocupados pelos sobreirais do Sanguisorbo-Quercetum suberis  e as suas etapas regressivas Phillyreo-Arbutetum unedonis viburnetosum tini , Erico australis-Cistetum populifolii  e Halimio ocymoidis-Ericetum umbellatae .

Polygonatum odoratum
Quercus robur
Ulex minor
Drosera intermedia
Armeria x francoi  
Aquilegia dichroa
Castanea sativa
Cytisus multiflorus
Euphorbia amygdaloides
Genista falcata
Halimium umbellatum
Linaria triornithophora
Luzula lactea
Pulmonaria longifolia
Quercus x  neomarei
Quercus pyrenaica
Silene coutinhoi
Viola kitaibeliana  subsp. machadeana
O Sector Mariânico-Monchiquense  em Portugal também é essencialmente silicioso, contudo encontram-se algumas áreas dominadas por carbonatos com grau variável de metamorfização. Coyncia transtagana , Erica andevalensis , Euphorbia monchiquensis  e Genista polyanthos # são endémicas deste território. Adenocarpus telonensis , Carthamus tinctorius , Centaurea ornata  subsp. ornata , Cytisus baeticus , Cytisus scoparius  var. bourgaei , Cynara tournefortii , Dianthus crassipes , Echium boissieri , Eryngium galioides , Leontodon salzamanii , Marsilea batardae , Onopordum macracanthum , Onopordum nervosum , Scrozonera crispatula , Serratula abulensis , Serratula barrelieri , Thymelaea villosa  são algumas plantas diferenciais do Sector no contexto da Província. Os sobreirais e os azinhais transformados em montados são predominantes na paisagem vegetal. Consideram-se exclusivos desta área os seguintes sintáxones: Euphorbio monchiquensis-Quercetum canariensis , Sanguisorbo-Quercetum suberis quercetosum canariensis , Phlomido purpureae-Juniperetum turbinatae , Phillyreo-Arbutetum rhododendrotosum baetici  (= Arbuto-Cistetum populifolii ), Genistetum polyanthi , Ulici eriocladi-Ulicetum umbellatae , Cisto-Ulicetum minoris , Lavandulo sampaioanae-Cistetum albidi , Ulici erioclaci-Cistetum ladaniferi , Cisto ladaniferi-Ulicetum argentei  e Rubo ulmifoliae-Nerietum oleander securinegetosum tinctoriae . O salgueiral Salicetum atrocinereae-australis , é uma comunidade que ocorre no leito torrencial dos rios e ribeiras deste Sector.
No nosso país, diferenciam-se-se dois Subsectores no Sector Mariânico-Monchiquense: o Araceno-Pacense  e o Baixo-Alentejano-Monchiquense .
O Subsector Araceno-Pacense  é o mais setentrional e confina com o limite sul do Toledano-Tagano. Situa-se a norte da linha, que passa pelas serras de Monfurado e Mendro (Portel); Moura e Barrancos incluindo ainda a serras da Adiça, Ficalho e todo o vale termomediterrânico do Guadiana a sul do “ Pulo do Lobo” . As rochas predominantes são os xistos e granitos, contudo nesta área surgem os calcários metamórficos (mármores). São endémicas do território as comunidades de Ulex eriocladus  - Ulici eriocladi-Cistetum ladaniferi  e Ulici eriocladi-Ericetum umbellatae . A primeira distribui-se desde Elvas até base da encosta norte da Serra de Ossa, voltando a surgir nas serras da Adiça e Ficalho. O endemismo Digitalis purpurea  subsp. heywoodii , que se encontra nas rochas graníticas de Monsaraz também é exclusivo deste território. Em Portugal assinalam-se três Superdistritos: Aracenense , Pacense  e Alto-Alentejano .
Superdistrito Aracenense  que em Portugal se encontra representado pela serras da Adiça, Ficalho e pelo vale do Guadiana a sul do Pulo do Lobo, é essencialmente termomediterrânico seco, mas pode atingir o mesomediterrânico sub-húmido nas zonas mais altas (St.ª Iria e Contenda Sul). Armeria linkiana , Campanula transtagana , Daucus setifolius , Dianthus crassipes , Erica andevalensis , e Scabiosa stellata  ocorrem nesta área ajudando a caracterizar face aos vizinhos. A série dos azinhais silicícolas termomediterrânicos - Myrto communis-Querceto rotundifoliae   S.  predomina neste território, contudo a paisagem encontra-se dominada por etapas subseriais: o esteval termófilo Genisto hirsutae-Cistetum ladaniferi cistetosum monspeliensis , e o espargueiral / zambujal / carrascal Asparago albi-Rhamnetum oleoidis . Os sobreirais do Sanguisorbo-Quercetum suberis  são menos frequentes e encontram-se nas zonas mais húmidas à semelhança do seu urzal / tojal subserial, neste território: Ulici eriocladi-Ericetum   umbellatae . Nas zonas secas e semi-áridas do vale do Guadiana assinalam-se as maiores originalidades do território em comparação com os outros dois Superdistritos do Subsector: os zimbrais reliquiais edafoxerófilos do Phlomido purpureae-Juniperetum turbinatae , os escovais do Genistetum polyanthi  e o esteval Phlomido purpureae-Cistetum albidi . As comunidades semi-nitrófilas rupícolas do leito rochoso do rio - Centauro ornatae-Festucetum duriotaganae  ( Festucion duriotaganae , Rumicetalia induratae , Phagnalo-
Rumicetea ) tem o seu óptimo biogeográfico nesta unidade biogeográfica.
Em Portugal só uma pequena área raiana da bacia do rio Caia, que inclui aproximadamente os concelhos de Elvas e Campo Maior, pertence ao Superdistrito Pacense . É uma zona plana situada no andar mesomediterrânico sub-húmido, onde se encontram o tojal Ulici eriocladi-Cistetum ladaniferi  e o giestal Retamo sphaerocarpae-Cistetum bourgaei  que resultam da degradação dos azinhais silicícolas do Pyro-Quercetum rotundifoliae . No entanto, nos solos neutros sobre carbonatos metamórficos paleozóicos com pouco calcário activo, a vegetação potencial corresponde aos azinhais do Lonicero implexae-Quercetum rotundifoliae , que por destruição originaram o carrascal Crataego monogynae-Quercetum cocciferae  e o esteval Lavandulo sampaionae-Cistetum albidi . Nos montados sobre solos siliciosos a pastagem vivaz resultante do pastoreio por ovinos corresponde à associação Poo bulbosae-Trifolietum subterranei . Nos solos alcalinos e neutros, assinala-se Astragaleto sesamei-Poetum bulbosae . A vegetação neutro-basófila seminitrófila e ruderal da aliança Taeniathero-Aegilopion geniculatae  ( Bromenalia rubenti-tectori ) serve igualmente para discriminar estes territórios dos seus vizinhos.
Dos três Superdistritos do Sector Arceno-Pacense o Superdistrito Alto Alentejano  é aquele que ocupa maior superfície em Portugal. É uma área quase plana, ondulada, cortada por algumas serras de pequena altitude (Monfurado, Montemuro, Ossa), onde predominam solos de origem xistosa e granítica. Contudo, existe uma área importante de carbonatos metamórficos paleozóicos (mármores devónicos, diabases) em Estremoz, Vila Viçosa e Borba. Quase toda a sua área se situa no andar mesomediterrânico sub-húmido, podendo atingir o termomediterrânico na encosta oeste Serra de Monfurado. Os montados em solo silicioso do Pyro-Quercetum rotundifoliae  e os sobreirais do Sanguisorbo-Quercetum suberis  são dominantes na paisagem vegetal. Quanto aos matos subseriais o escoval Genistetum polyanthi  observa-se ao longo do vale do Guadiana, os estevais do Genisto hirsutae-Cistetum ladaniferi  e o esteval / urzal Erico australis-Cistetum populifolii  e os urzais do Halimio ocymoidis-Ericetum umbellatae  são vulgares em todo o território, ocorrendo ainda o giestal Retamo sphaerocarpae-Cytisetum bourgaei . Neste Superdistrito ocorre, ainda que de modo finícola, o amial Scrophulario-Alnetum glutinosae , sendo o freixial Ficario-Fraxinetum angustifoliae  a comunidade mais comum nas ribeiras e linhas de água, sendo também vulgar o Salicetum atrocinereo-australis  nos leitos torrenciais. Os juncais do Holoschoeno-Juncetum acuti , Trifolio-Holoschoenetum  e Juncetum rugosieffusi  bem como os prados Trifolio resupinati-Caricetum chaetophyllae , Gaudinio fragilis-Agrostietum castellanae , Pulicario paludosae-Agrostietum pourretii  e Loto subbiflori-Chaetopogenetum fasciculati  são comunidades que têm importância neste Superdistrito nos biótopos edafo-higrófilos. Na zona termomediterrânica, junto à Serra de Monfurado ocorre o matagal do Asparago aphylli-Calicotometum villosae  subserial do Myrto-Quercetum suberis . Nos mármores a série da azinheira Lonicero implexae-Querceto rotundifoliae S.  reaparece. 

Para a Região (província antiga) do Alto Alentejo estão registadas neste momento (28/02/2015) 985 espécies (incluindo subespécies) de plantas vasculares na Flora-On:

Capture.JPG
 

Veja à seguir: 24.2 - Baixo Alentejo


[8]   Na porção cacuminal, é de admitir a exsitência teórica de uma pequena área supramediterrânica onde o clímax poderia corresponder ao Sorbo torminalis-Quercetum pyrenaicae . No entanto, o avançado estado de degradação da vegetação não permite realizar inferências seguras sobre a vegetação climatófila.

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