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(contains Web links to Flora-On for observed plant species, Web links to high resolution Google satellite-maps (JPG) of plant-hunting regions from the Iberian peninsula; illustrated text in Portuguese language)



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sexta-feira, 15 de março de 2013

Flowers of South-West Europe revisited - 24 - Alentejo

“Flowers of South-West Europe - a field guide” - de Oleg Polunin e B.E. Smythies

“Revisitas” de regiões  esquecidas no tempo - “Plant Hunting Regions” - a partir de uma obra de grande valor para o especialista e amador de botânica como da Natureza em geral.

Por

Horst Engels, Cecilia Sousa, Luísa Diniz, Nicole Engels, José Saraiva; Victor Rito

da

Associação “Trilhos d’Esplendor”

24 O Alentejo

                

24. Alentejo

24.1 Alto Alentejo (Norte-Este)

24.2 Baixo Alentejo (Sul-este)

Castroverde (Estepe ceralífera)

Faixa piritosa Ibérica

24.4 Alentejo Litoral

2.1.1.1.1 Costa Vicentina

Alentejo e Extremadura - Extrato do   Mapa de Solos e da Vegetação da Península Iberica.  de Moritz Willkomm (1852) [1]

24. O Alentejo

O Alentejo  é uma região no sul de Portugal. A origem da palavra “Alentejo” provem de facto de  “Alem-Tejo” e traduz-se por “Além do Tejo”. A região é separado pelo Rio Tejo  do Norte de Portugal. Para sul do Alentejo segue a região do Algarve. Um grande rio que passa pelo Baixo Alentejo é o Rio Guadiana  que faz fronteira no Algarve com a Espanha. Assim o Alentejo fica situado entre os dois rios, Tejo e Guadiana.

Polunin and Smythies  falam pouco sobre o Alentejo no livro “ Flowers of South-West Europe - a field guide ”. Possivelmente não incluiram esta região nas “ plant hunting regions ” porque na realidade nela não existem cadeias montanhosas altas com endemismos que nestas normalmente se encontram.

Alentejo - paisagem [2]

Alentejo - cidade Castro Verde [3]

No entanto, a costa Vicentina  que faz parte do Alentejo litoral é incluida nas regiões botânicas valiosas do Polunin & Smythies .

Também Willkomm  inclui a costa Vicentina nas sua descrições sobre a flora da Península Ibérica. Ele descreve o Baixo Alentejo apenas brevemente na sua obra sobre: “ Die Grundzuege der Pflanzenverbreitung auf der Iberischen Halbinsel. ” [4]

Willkomm  dedica-se em 1852 na sua tése: “ Die Strand- und Steppengebiete der iberischen Halbinsel und deren Vegetation ” [5] [6]  às plantas costeiras  e das estepes  da Península Ibérica.  Os habitats e ecossistemas costeiras têm normalmente em comum com as estepes da Península Ibérica o elevado teor em sais no solo - e por isso é aí onde se encontra plantas adaptadas aos solos com sais, chamadas plantas halofítas ou simplesmente halófitas .  São diversas famílias de cormófitos (plantas vasculares) que conseguiram esta adaptação difícil ao ambiente salgado que dificulta o equilíbrio osmótico nas plantas.

O que caracteriza uma grande parte do Alentejo são estepes ceralíferas com gramíneas ( Gramineae = Poaceae ).- um importante grupo de plantas vasculares com adaptações ao ambiente austero das estepes.

Alentejo - estepe ceralífera [7]

A família das gramíneas tem adaptações, baseadas sobretudo na sua arquitectura morfologica, mas também fisiológicas, aos ecossistemas com climas extremos e com inestabilidades atmosféricas elevadas. Além de pluviosidade  reduzida ou sazonal são sobretudo os ventos  fortes que representam um factor físico limitante para as plantas, por causa da grande resistência aerodinâmica que a superfície do corpo de uma planta normalmente representa aos ventos. As gramíneas conseguiram de facto uma arquitectura morfológica genial para superar esta resistência aerodinâmica e até conseguiram aproveitar-se da força dos ventos para transporte das suas sementes.

São as estepes ceralíferas  que dão o caracter ao Alentejo. No entanto, existem também serras no Alentejo como  por exemplo as Serras de Grândola, Monfurado, Montemuro, d’Ossa, Portel, São Mamede, Vigia e Caldeirão, mas não são serras altas. A razão para isso vemos explicada pela sua geologia.

A estepe ceralífera do Alentejo não tem as mesmas características como as verdadeiras estepes (salgadas) das regiões do Central, Sul e Este Ibérico. É por isso que a estepe ceralífera do Alentejo, fortemente modelada e influenciada pela acção antropogénica, também é chamada apenas uma pseudo-estepe. A região é em geral caracterizada por uma paisagem ondulada, suave, mas com grande extremas de temperaturas.

 A obra da Flora Iberica  ainda não pode ajudar na identificação das espécies da rica e difícil famíla das gramíneas [8]  do Alentejo porque o volume 19 sobre as gramíneas [9]  ainda está apenas previsto para ser publicado.

Mas para a Estremadura , parte do   sistema “ Gebirgssystem Estremadura ” (veja mapa de Willkomm) a qual também pertence o Baixo Alentejo, existem monografias sobre gramíneas - obras que podem ser bastante úteis na identificação das gramíneas do Alentejo. São isso as monografias de J.A. Devesa et al.  sobre: “ Las Gramineas da Extremadura ” [10] [11]  e “ Anatomía foliar y palinología de las gramíneas extremeñas ” [12] [13] . Para as gramíneas da Estremadura existe também uma chave de identificação online [14]  na base da lista genérica de Devesa et al. . [15]  Outra obra importante dos mesmos autores é: “ Vegetación e Flora de Extremadura ” [16] [17]  - também indispensável para a identificação da flora alentejana.

Alentejo - montado [18]

Alentejo - montado de azinheiras com Echium [19]

Na região do Alentejo distinguem-se ainda as seguintes subregiões:

  1. Alentejo Central
  2. Alentejo Litoral
  3. Alto Alentejo
  4. Baixo Alentejo
  5. Lezíria do Tejo

Note-se que esta divisão administrativa actual não coincide com a antiga região tradicional do Alentejo (que era constituída por duas das antigas províncias: o   Alto  e   Baixo Alentejo ), a qual era ligeiramente menor que a actual e incluía apenas os distritos de Évora e Beja (na sua totalidade), praticamente todo o distrito de Portalegre (excepto o concelho de   Ponte de Sôr , que fazia parte da antiga província do   Ribatejo ), e a metade sul do de Setúbal (os concelhos desse distrito que fazem parte da actual região do Alentejo Litoral, a saber:   Alcácer do Sal ,   Grândola ,   Santiago do Cacém  e   Sines ).

Mapa geográfico da província do Alentejo e do reino do Algarve [20]

Também não se deve confundir a antiga provincia ou comarca de Estremadura de Portugal [21]   que foi extinta no século XIX com a Estramadura da Espanha que se divide nas províncias de Caceres  e Badajoz .

Estremadura, Portugal [22]

Estremadura, Espanha [23]

Willkomm  (1896) inclui o Baixo-Alentejo  nas suas observações botânicas com a zona serrana do Algarve, mas consta que existem diferenças importantes na flora destas regiões.

Para a Serra do Monfurado do Alto Alentejo  existe uma monografia botânica de Marízia Clara de Menezes Dias Pereira  que consta de mais do que 800 taxones de plantas.

Em termos geomorfológicos globais, a região do Alentejo integra-se, quase na totalidade, no Maciço Antigo  e, dentro deste, na zona de Ossa-Morena . É atravessada pela chamada falha da Messejana , uma grande fractura geológica que percorre no sentido SW-NE, todo o Alentejo, prolongando-se, a partir de Campo Maior, por terras de Espanha.

Uma revisão moderna da geomorfologia da zona de Ossa-Morena encontra-se em M. A. de San José, P. Herranz, A. P. Pieren “ A review of the Ossa-Morena Zone and its limits. Implications for the definition of the Lusitan-Marianic Zone .” [24]

Fig.1.- División en zonas y sectores del Macizo Hespérico enfatizando la propuesta Zona Lusitano-Mariánica. A1: Zona Cantábrica; A2: Núcleo anticlinal de las Pizarras del Narcea; B1: Zona Asturoccidental leonesa (ZAOL); B2: ZAOL Granitoides y Pizarras de Villalba del Precámbrico terminal, del pliegue recumbente de Mondoñedo; C1: Zona Galaico-trasmontana (ZGTM), Unidades catazonales alóctonas; C2: ZGTM Banda blastomilonítica Malpica-Tuy; C3: ZGTM dominio esquistoso; D1: “Ollo de Sapo” y otros neises glandulares (ZCI), D2: Materiales indiferenciados

de la Zona Centroibérica (ZCI), D3: Núcleo migmatítico de Toledo; D4: Eje de Los Pedroches; E: “Banda Problema”: Zona Lusitano-Mariánica (ZLM); F: Zona de Ossa Morena (s. restricto) (ZOM);

Fig.2.- División en bandas del SW del Macizo Hespérico. Zona Centro Ibérica: 0: Dominio de Montes de Toledo; 1: Alcudia-Alta Extremadura; en negro depósitos continentales del Alcudiense

Superior; 2: Eje de Los Pedroches. 3: Zona Lusitano-Marianica. 3a: Dominio de Obejo-Valsequillo; 3b Eje Badajoz-Córdoba y dominio de Sierra Albarrana. Zona de Ossa Morena: 4a: Banda Zafra-Llerena-Alanís; 4b: Núcleo Olivenza-Monesterio; 5: Banda Cheles-Barrancos; 6: Macizo Évora-Beja-Aracena; Zona Sur-Portuguesa: 7 a: “Pulo do Lobo”; 7 b: Faja pirítica; 7 c: ZSP indiferenciada.

Uma carta com as zonas geomorfológicas de Portugal à seguir:

Na Carta de Geologia de Portugal reflecta-se bem a complexidade da geologia de Portugal::

Carta de Geologia de Portugal

Um introdução bastante acessível da geologia do Alentejo escrita por Galopim de Carvalho  encontra-se  aqui: “ ALGUNS ASPECTOS DA GEOLOGIA DO ALENTEJO ”. [25]

Esta complexidade geológica e litológica do Alentejo reflecta-se também necessariamente na flora.

Estudos fitossociológicos no Alentejo

Existem relativamente poucas monografias sobre a flora alentejana e estudos fitossociológicos são escassos e não são sempre de acesso fácil. Além do estudo biogeográfico de J.C. Costa  et. al.   (1998) Biogeografia de Portugal Continental [26]  e do estudo clássico de Werner Rothmaler (1943) sobre o Promontorium Sacrum [27]  encontram-se publicados: por J. Capelo  em 1996 um Esboço da Paisagem Vegetal da Bacia Portuguesa do Rio Guadiana [28] ; em 2009 por Marízia Clara de Menezes Dias Pereira “ A Flora e Vegetação da Serra de Monfurado (Alto Alentejo - Portugal) [29] ”, - para mencionar apenas alguns dos trabalhos mais conhecidos ou acessíveis na Internet.

Para um resumo das características biogeográficas do Alentejo  referimos à seguir o trabalho de Costa et. al. sobre a Biogeografia de Portugal. Também sobre a Faixa Piritosa Ibérica  e alguns endemismos interessantes da vegetação metalofítica que se encontram nesta faixa geológica vamos falar. E vamos lembrar a Estepe ceralífera  do Alentejo que tornou-se um símbolo paisagística desta região.

Vegetação Potencial Natural do Alentejo

Descrevemos a partir da Carta da Vegetação Potencial Natural da Europa  de Udo Bohn et. al. (2002) [30] [31]  alguns aspectos sobre a vegetação potencial (climax) do Alentejo:

Extrato da ‘Carta da Vegetação Natural Potencial da Europa’ (Bohn et. al 2002) [32]

O Alentejo

Extrato da ‘Carta da Vegetação Natural Potencial da Europa’ (Bohn et. al 2002) [33]

O Alentejo sobreposto com Mapa satélite (Google-Earth)

Como se vê na carta, existem no Alentejo duas áreas de grande extensão com vegetação potencial distinta - a área com vegetação potencial do J35-J36 [34] [35]  de florestas termo-mediterrânicos de sobreiros ( Quercus suber ):

J -  Mediterranean sclerophyllous forests and scrub

2 -  Thermo-Mediterranean sclerophyllous forests and xerophytic scrub ( Quercus suber, Q. ilex subsp. rotundifolia, Olea europaea, Ceratonia siliqua, Periploca angustifolia, Rhamnus lycioides )

2.1 -  Thermo-Mediterranean cork oak forests ( Quercus suber )

e a área com vegetação potencial J1-J2 [36] [37]  de azinheiras ( Quercus ilex subsp. rotundifolia ) em florestas e matagais mediterrânicas esclerofíticas:

J -  Mediterranean sclerophyllous forests and scrub

1 -  Meso- and supra-Mediterranean as well as relict sclerophyllous forests (Quercus ilex, Q. ilex  subsp. rotundifolia, Q. coccifera, Q. suber, Pistacia lentiscus )

1.1 -   Quercus ilex subsp. rotundifolia -forests

A área de de azinheiras em florestas e matagais mediterrânicas escelerofíticas estende-se também para grandes áreas de Espanha:

e é característica para a região vizinha de Estremadura (Espanha) do Alentejo. É nestas áreas que se inseram as grandes estepes da Península Ibérica. No entanto, a estepe ceralífera  do Alentejo tem de ser considerada uma pseudo-estepe, com origem por actividade humana,  que podia provavelmente voltar rapidamente ao estado climax de uma floresta mediterrânica indicada no mapa enquanto partes das estepes espanholas, as estepes salgadas  da Espanha, já atingiram uma regressão de tal ordem e para um estado secundário dos solos tão diferente que provavelmente dificilmente voltavam ao estado climax de floresta indicado por estas regiões.

Veja à seguir: Alto Alentejo

Home (Index)


[4]  WILLKOMM,  M.  (1896)  -   Grundzuege  der  Pflanzenverbreitung  auf  der  iberischen  Halbinsel. (Download)   In  Sammlung  von  Engler,  A.  und  Drud,  O.:   Die  Vegetation  der  Erde . Engelmann. Leipzig

[8]  Existem mais do que 10.000 espécies de gramíneas mundialmente, e para a Estremadura são listadas 209 taxones em 175 espécies (Devesa, 1991).

[14]  a chave ( DELTA KEY ) tem como opção a escolha do subset de géneros de gramíneas da Extremadura

[21]   A Estremadura  é uma antiga   comarca  ou província portuguesa estabelecida na   Idade Média  e extinta no   século XIX , devendo o seu nome derivar do   latim   Extrema Durii  ( extremos do   Douro ), por designar os territórios adquiridos, na sequência da   Reconquista cristã , para Sul do Douro (tal é, de resto, também a origem etimológica do nome da região espanhola da   Estremadura ); com a progressão da reconquista para Sul, a noção de Estremadura, como terra de fronteira, foi também alargando-se, de tal forma que, no   século XV , a Estremadura correspondia, grosso modo , aos modernos   distritos de Aveiro ,   Coimbra ,   Leiria ,   Lisboa ,   Santarém  e   Setúbal .

Ao longo da história os limites da Estremadura foram muitas vezes alterados. No   século XIX , quando deixou de ter significado administrativo, os seus limites correspondiam, grosso modo, aos actuais distritos de Lisboa, Leiria, Santarém e Setúbal.

[26]  COSTA, J. C.; AGUIAR, C.; CAPELO, J. H.; LOUSÃ, M. & NETO, C. 1998. Biogeografia de

Portugal Continental. Quercetea 0: 5-56. ALFA/FIP. Portugal

[27]  ROTHMALER, W. (1943) - Promontorium Sacrum, Vegetationsstudien in südwestlichen

Portugal. Repert. Spec. Nov. Regni Veg. Beih. 128.

[28]  CAPELO, J. 1996. Esboço da Paisagem Vegetal da Bacia Portuguesa do Rio Guadiana. Silva

Lusit. 4 (especial): 13-64.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Flowers of South-West Europe revisited - 2.1.1.1.1 - Costa Vicentina

“Flowers of South-West Europe - a field guide” - de Oleg Polunin e B.E. Smythies

“Revisitas” de regiões  esquecidas no tempo - “Plant Hunting Regions” - a partir de uma obra de grande valor para o especialista e amador de botânica como da Natureza em geral.

Por

Horst Engels, Cecilia Sousa, Luísa Diniz, Nicole Engels, José Saraiva; Victor Rito

da

Associação “Trilhos d’Esplendor”

2.1 O Algarve

                

2.1.   Algarve

2.1.1   The coastal zone (Littoral)

2.1.1.1   Barlavento (Ocidental)

                2.1.1.1.1 Costa Vicentina

2.1.1.2   Centro

2.1.1.3   Sotavento (Oriental)

2.1.2   The limestone zone (Barrocal)

2.1.3   The Serras

2.1.3.1   Monchique

2.1.3.2 Malhão

2.1.3.3 Caldeirão

2.1.1.1.1 Costa Vicentina

Extrato do Mapa de Solos e da Vegetação da Península Iberica.  de Moritz Willkomm (1852) [1]

Por oeste de Lagos  a faixa de colinas costeiras torna-se cada vez menos fértil e menos povoada, e o viajante chega aos promontórios ventosos e dramaticamente áridos de Sagres  e Cabo de São Vicente .

Ponta de Sagres

Estes promontórios são compostos de rochas calcáreas duras dolomíticas, desgastadas e batidas pelo tempo numa plataforma de aparância cárstica que termina abruptamente em falésias suspensas e verticais de 80m de altitude, com o mar azul ao fundo. Embora, com pastoreio intenso por gado e ovelhas, a maior parte do promontório de Sagres , do   Cabo de São Vicente   e da Costa Vicentina do Sudoeste Alentejano   (desde 1988 Paisagem protegida   e desde 1995  Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina )   do Alentejo Litoral ( PTZPE0015 ) encontra-se relativamente pouco perturbado pelo homem e é por aí que se encontra uma flora muito distinta e interessante (veja Flora vicentina ).

A flora  do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina  distribui-se por três tipos de ambientes geomorfológicos:

  1. barrocal ocidental, no planalto vicentino a sul, com vegetação típica de solos calcários, numa zona de clima seco e quente;
  2. planalto litoral, com vegetação mais diversificada, nas dunas, charnecas e áreas alagadiças.
  3. serras litorais e barrancos, mais frescos e humidos, com densa vegetação arbórea e arbustiva ladeando as ribeiras.

Ao longo do parque ocorre uma mistura de vegetação mediterrânica , norte-atlântica  e africana , com predominância para a primeira. Há cerca de 750 espécies, das quais mais de 100 são   endémicas , raras ou localizadas; 12 não existem em mais nenhum local do mundo. Na área do parque encontram-se espécies consideradas vulneráveis em Portugal, assim como também diversas espécies protegidas na Europa .

A planta dominante é † Cistus palhinhae  formando um arbusto baixo e compacto agregado em grupos; com folhas de um brilho intenso e flores puramente brancas do tamanho de Cistus ladanifer  com que é estreitamente aparentada.  As outras espécies comuns de cistáceas são Cistus salvifolius  e Cistus albidus , Cistus monspeliensis  com flores brancas mais pequenas e Cistus crispus  com flores cor de rosa.

Cistus palhinhae  ao pé do Cabo de São Vicente [2]

Cistus palhinhae

Associadas com as espécies de Cistus  encontram-se espécies comuns do matorral como:

Arbustos

Herbáceas

Juniperus phoenicea

Anemone palmata

Dorycnium hirsutum

Silene colorata

Pistacia lentiscus

Iberis procumbens

Malva hispanica

Onobrychis peduncularis

Daphne gnidium

Lithospermum apulum

Halimium commutatum

Salvia verbenaca

Helianthemum origanifolium

Campanula lusitanica

Corema album

Campanula rapunculus ssp.  verruculosa

Lithospermum diffusum ssp. lusitanica

Calendula suffruticosa

Lavandula stoechas

Asteriscus maritimus

Rosmarinus officinalis

Dipsaci serotinum

† Thymus camphoratus

Narcissus obesus

Em Abril o crave-das-areias † Armeria pungens é uma boa atração, a alquitira do Algarve, † Astragalus massiliensis começa a abrir as suas flores brancas, como também a arbustiva Calendula sufruticosa  com as suas flores cor de laranja.

Astragalus massiliensis [3]

Antirrhinum majus  ssp. linkianum  tem desenvolvido o seu hábito curioso de crescer no meio de arbustos e de assegurar-se perante os seus rebentos e petíolos jovens que serpenteiam à volta de ramos. Uma forma anã da Flor de cera   Cerinthe major  ssp. gymnandra  com folhas eriçadas e flores brancas pálidas, com rebordo amarelo e manchas violáceas e amarelas na base da corolla, ocorre aqui e acola.

Cerinthe major  ssp. gymnandra   [4]

Noutras plantas de interesse especial incluem-se † Biscutella vincentina , distinguida como todos os membros do género pelos frutos (discos em pares),

No blogue   Flora Vicentina  são listadas as seguintes orquídeas para a costa Vicentina:

  1. Gennaria diphylla
  2. Ophrys apifera
  3. Ophrys lutea
  4. Ophrys speculum
  5. Ophrys tenthredinifera
  6. Orchis champagneuxii
  7. Orchis italica
  8. Serapias cordigera

Os seguintes endemismos são listadas também no blogue da Flora Vicentina :

  1. Astragalus tragacantha vicentinus
  2. Bellevalia hackelii
  3. Centaurea fraylensis
  4. Daucus halophylus
  5. Hyacinthoides vicentina
  6. Jonopsidium acaule
  7. Linaria algarviana
  8. Silene rothmaleri
  9. Thymus camphoratus
  10. Ulex erinaceus

E outras espécies desta região são:

  1. Allium subvillosum
  2. Anagallis monelli
  3. Antirrhinum majus cirrhigerum
  4. Armeria  beirana
  5. Armeria macrophylla
  6. Armeria pungens
  7. Astericus maritimus
  8. Crocus serotinus
  9. Cynara algarbiensis
  10. Helianthemum marifolium origanifolium
  11. Lavandula luisieri
  12. Lavatera mauritanica davaei
  13. Narcissus gaditanus
  14. Narcissus obesus
  15. Paeonia broteri
  16. Reichardia gaditana
  17. Scilla peruviana
  18. Serratula monardii
  19. Viola arborescens

Biscutella vincentina [5]

† Viola arborescens , em solos calcários de promontórios rochosos (também ocorre perto de Trafalgar),

Viola arborescens [6]

† Teucrium polium  ssp. dunense  

Teucrium dunense [7]

e † Hyacinthoides ( Scilla) vicentina  com pares de brácteas na base de cada flor.

Hyacinthoides vicentina [8]

A rara Cocleária-menor   † Jonopsidium acaule [9]  forma as suas tapetes aqui e acolá e está em floração em Fevereiro ou até Janeiro, e uns poucos exemplares do Jacinto-azul-do-Algarve † Bellevalia hackelii podem ser encontradas no promontório de Sagres. Em terras mais abrigadas pode ser observada o azul brillante de Anagallis monelli em contraste às flores minúsculas brancas com cheiro doce de Lobularia maritima ; 2 espeécies com inflorescências roxas são Rumex intermedius  e Rumex papillaris ; Nepeta tuberosa é espectacular ao longo do percurso.

Jonopsidium acaule [10]

Bellevalia hackelii [11]

Nepeta tuberosa

Também Willkomm [12]   já descreveu a Flora do Cabo de São Vicente em 1896 e deliniou o interesse especial que esta flora tem devido às espécies endémicas que aí se encontram (p. 292):

“Ein in floristischer Beziehung besonders interessanter Punkt ist das hügelige Felsplateau des Cabo de S. Vicente, indem hier eine Anzahl peninsularer (meist endemischer) Arten ihre westliche oder südliche Grenze in Europa oder überhaupt finden, andere nur oder vorzugsweise hier vorkommen, nämlich: Macrochloa   † tenacissima  (L.) Kth., Juncus   † valvatus  Lk. ( J.   echinuloides  Brot.), Scilla † mauritanica  Schousb. ( S. vincentina Hffgg. Lk., einziger bekannter Standort in Europa!), Teucrium vincentinum Rouy, Lithospermum *prostratum  Lois., Linaria amethystea  Hffgg. Lk. und Linaria satureioides  Boiss., Helichryson † serotinum  Boiss., Centaurea polyacantha Boiss. und (L) Centaurea vincentina  Welw. (nur an einigen Punkten der Küstenzone Alemtejo's und am Cap St. Vincent), Cynara  (L) algarbiensis  Coss., Onobrychis † eriophora  Desv., Astragalus  ** massiliensis  Lam. (A. Poterium Brot., in Portugal nur hier und am Cabo de Sines), Euphorbia baetica  Boiss., Cistus hirsutus  Lamk., Helianthemum † origanifolium  P. (einziger Standort in Portugal!), Iberis pectinata  Boiss., Astrocarpus  ** Clusii J. Gay, Diplotaxis   † virgata DC.

Werner Rothmaler  fez em 1943 um estudo fitossociológico do Cabo São Vicente no seu trabalho de habilitação: Promontorium Sacrum,  Vegetationsstudien im südwestlichen  Portugal. [13]

Biogeograficamente o Cabo de São Vicente  é caracterizado como o Superdistrito Promontório Vicentino , constituindo em conjunto com o Superdistrito Costeiro Vicentino e o Superdistrito Algárvico  o Sector Algarviense , caracterizados fitosociologicamente por Costa et. al. [14]  em “ Biogeografia de Portugal ”. A área do Cabo São Vicente liga assim os Superdistritos Costeiro Vicentino  e Algárvico  pelos elementos florísticos em terrenos calcáricos que se encontram em algumas partes do Baixo Alentejo (por exemplo na zona da Praia da Carrapateira) e sobretudo no Barrocal do Algarve:

O Superdistrito Costeiro Vicentino  é um território silicioso, constituído por areias (charnecas) e xistos, com a excepção da Carrapteira que é calcícola, situado entre Melides e os calcários da Península de Sagres. Uma grande área de dunas consolidadas e dunas fósseis sobre xistos situa-se nesta unidade. É rica em endemismos: Avenula hackelii , Centaurea vicentina, Chaenorrhinum serpylifolium  subsp. lusitanicum, Herniaria algarvica, Linaria algarviana, Malcolmia littorea var. alyssoides, Plantago almogravensis, Serratula monardii subsp. algarbiensis  e Scrozonera transtagana . O Stauracanthus spectabilis  subsp. spectabilis  na Europa tem neste Superdistrito a única área onde pode ser observado. Thymus camphoratus, Linaria ficalhoana, Iberis contracta subsp.  welwitschii, Herniaria maritima, Hyacintoides vicentina subsp.  transtagana, Centaurea crocata, Cistus ladanifer subsp.  striatus, Limonium lanceolatum, Stauracanthus spectabilis subsp. vicentinus, Littorella uniflora são outros táxones diferenciais deste território. O Thymo camphorati-Stauracanthetum spectabilis, Genisto triacanthi-Stauracanthetum vicentini e Genisto triacanthi-Cistetum palhinhae  são comunidades que só se assinalam neste Superdistrito, no entanto também contribuem para a sua caracterização: Oleo-Quercetum suberis, Myrto-Quercetum suberis, Querco cocciferae-Juniperetum tubinatae, Osyrio quadripartitae-Juniperetum turbinatae, Rubio longifoliae-Coremetum albi, Querco lusitanici-Stauracanthetum boivinii, Stipo giganteo-Stauracanthetum vicentini, Artemisio crithmifoliae-Armerietum pungentis, Herniario algarvicae-Linarietum ficalhoanae, Dittrichietum revolutae. O território, que vai desde a Península calcária de Sagres até à Ponta de Almedena, é designado por Superdistrito Promontório Vicentino , é uma área psamofílico Thymo capitellati-Stauracanthetum genistoidis . No entanto, possui algumas comunidades endémicas: o matagal de carvalhiça Junipero navicularis-Quercetum lusitanicae , o zimbral Daphno gnidi-Juniperetum navicularis,  o tojal/urzal mesofítico Erico umbellatae-Ulicetum welwitschiani,  o prado psamofílico anual Anacortho macranthero-Arenarietum algarbiensis  e o mato camefítico de areias nitrofilizadas Santolinetum impressae.  As associações de lagoas e turfeiras estão presentes nas depressões húmidas: - o salgueiral palustre Carici lusitanicae-Salicetum atrocinereae,  o urzal/tojal higrófilo Cirsio welwistschii-Ericetum ciliaris,  o juncal/arrelvado hidrofítico Cirsio palustris-Juncetum rugosi,  a associação de lagoas Anagallido tenellae-Rhynschoporetum rugosi e as turfeiras baixas Utriculario gibbae-Sphagnetum auriculatae.  No que respeita à vegetação litoral, nas cristas dunares observa-se o Loto cretici-Ammophiletum australis e nas dunas semifixas o Artemisio crithmifoliae-Armerietum pungentis linarietosum lamarckii.  O Herniario algarvicae-Linarietum ficalhoanae  bem como o Osyrio quadripartitae-Juniperetum turbinatae  e o Rubio longifliae-Coremetum albi  ocorrem nas dunas fixas. É no sapal do Tejo que a maioria das comunidades mediterrânicas que se distribuem pela Província atingem o seu limite setentrional. Como exemplo, cite-se Sarcocornio perennis-Puccinellietum convolutae, Cistancho phelypaeae-Arthrocnemetum fruticosi, Arthrocnemo glauci-Juncetum subulati, Cistancho phelypaeae-Suaedetum verae, Polygono equisetiformis-Juncetum maritimi, Suaedo splendentis-Salicornietum patulae, Spergulario bocconei-Mesembryanthemetum nodiflori,  sendo os salgados do Sado o limite do Frankenio laevis-Salsoletum vermiculatae  e Cymodoceetum nodosae. Ocorrendo  ainda Zosteretum noltii, Spartinetum maritimae, Halimiono portulacoidis-Sarcocornietum alpini, Inulo crithmoidis-Arthrocnemetum glauci, Halimiono portulacoidis-Salicornietum patulae.

Biogeografia de Portugal - Superdistritos

A seguir a lista de espécies de plantas vasculares registadas na   FLORA-ON  (quadrícula UTM NA09 )  do Cabo de São Vicente da costa Vicentina que demonstra toda riqueza florística desta região:

Allium ampeloprasum

Allium subvillosum

Anemone palmata

Anthyllis vulneraria  subsp. maura

Antirrhinum cirrhigerum

Armeria pungens

Asparagus acutifolius

Asparagus albus

Asparagus aphyllus

Asteriscus maritimus

Astragalus tragacantha

Atriplex halimus

Bellevalia hackelii

Beta maritima

Biscutella sempervirens  subsp. vicentina

Briza maxima

Cachrys libanotis

Calendula suffruticosa  subsp. algarbiensis

Carpobrotus edulis

Cerinthe gymnandra

Chamaerops humilis

Cistus albidus

Cistus ladanifer  subsp. sulcatus

Cistus ladanifer  subsp. ladanifer

Cistus monspeliensis

Cistus salviifolius

Corema album

Coronilla glauca

Corynephorus canescens

Crithmum maritimum

Daphne gnidium

Daucus carota  subsp. halophilus

Dipcadi serotinum  subsp. serotinum

Dittrichia viscosa  subsp. revoluta

Dorycnium hirsutum

Erophaca baetica  subsp. baetica

Eryngium dilatatum

Ferula communis  subsp. catalaunica

Gynandriris sisyrinchium

Halimium calycinum

Helianthemum marifolium  subsp. marifolium

Helianthemum marifolium  subsp. origanifolium

Herniaria algarvica

Hyacinthoides vicentina  subsp. vicentina

Iberis procumbens  subsp. procumbens

Inula crithmoides

Juniperus turbinata  subsp. turbinata

Lagurus ovatus

Lavandula stoechas  subsp. stoechas

Lavatera cretica

Limonium ferulaceum

Limonium ovalifolium

Limonium virgatum

Lithodora prostrata  subsp. lusitanica

Lobularia maritima  subsp. maritima

Lotus creticus

Malcolmia littorea

Narcissus bulbocodium  subsp. obesus

Neatostema apulum

Onobrychis humilis

Ophrys speculum  subsp. speculum

Osyris lanceolata

Patellifolia patellaris

Phagnalon rupestre

Phillyrea angustifolia

Phlomis purpurea

Pistacia lentiscus

Plantago coronopus

Plantago lagopus

Plantago serraria

Polygala monspeliaca

Prasium majus

Pulicaria odora

Quercus coccifera  subsp. coccifera

Rhamnus alaternus

Rhamnus lycioides  subsp. oleoides

Rosmarinus officinalis

Rubia peregrina

Salsola vermiculata

Salvia verbenaca

Schoenus nigricans

Scilla autumnalis

Scilla monophyllos

Sedum sediforme

Sideritis arborescens  subsp. lusitanica

Silene colorata

Silene latifolia

Silene rothmaleri

Silene scabriflora  subsp. scabriflora

Stachys germanica

Stauracanthus spectabilis

Stipa tenacissima

Suaeda vera

Tamarix africana

Teucrium vicentinum

Thymus camphoratus

Urginea maritima

Valantia muralis

Viola arborescens

Espécies ainda sem imagem:

  1. Cakile maritima subsp. maritima
  2. Dittrichia maritima
  3. Frankenia boissieri
  4. Genista hirsuta subsp. algarbiensis
  5. Helichrysum decumbens
  6. Paronychia argentea var. angustifolia
  7. Rumex bucephalophorus subsp. gallicus
  8. Serratula monardii var. monardii
  9. Triplachne nitens
  10. Ulex erinaceus

Uma flora parecida com a Flora vicentina  do Cabo de São Vicente,  mas menos exposta e anã, pode ser observada por baixo da proteção de Pinus pinea acima de dunas de areia na costa oeste, quando se sai da Estrada de Lisboa cerca de 2km por oeste de Bordeira , e no promontório de Pontal .

Flora Costa Vicentina UTM NB01  (Carrapateira)


Birdwatching

O Cabo de São Vicente [15]  e a Costa Vicentina [16]  também são sítios importantes para observação de Aves. Quando as condições meteorológicas são favoráveis, estes são locais privilegiados para a observação de aves [17]  em migração, especialmente no Outono. O Guia “ birdwatching guide to the algarve ” dedica um capítulo (capítulo 7) à Península de Sagres devido à importância que esta área tem para a observação de Aves.

Algarve (from Polunin & Smythies 1987)

Algarve (from Polunin & Smythies 1987)

Veja à seguir: 2.1.1.2 Centro (Littoral)

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[12]  WILLKOMM,  M.  (1896)  -   Grundzuege  der  Pflanzenverbreitung  auf  der  iberischen  Halbinsel .   In  Sammlung  von  Engler,  A.  und  Drud,  O.:   Die  Vegetation  der  Erde . Engelmann. Leipzig

[13]  ROTHMALER, W. (1943) - Promontorium Sacrum,  Vegetationsstudien im südwestlichen Portugal. Repert. Spec. Nov. Regni Veg. Beih.   128 .

[14]  COSTA, J.C., AGUIAR, C., CAPELO, J.H., LOUSÃ, M., NETO, C., 1998. Biogeografia de Portugal Continental . Quercetea 0. Lisboa, Portugal, 55pp.

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