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(contains Web links to Flora-On for observed plant species, Web links to high resolution Google satellite-maps (JPG) of plant-hunting regions from the Iberian peninsula; illustrated text in Portuguese language)


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Polunin - Flowers of South-West Europe - revisited - última compilação

Polunin - Flowers of South-West Europe - revisited (Volume I - Portugal) Download PDFs (>300MB)

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

2.13.1c Serra da Lousa (III)




“Flowers of South-West Europe - a field guide” - de Oleg Polunin e B.E. Smythies


“Revisitas” de regiões  esquecidas no tempo - “Plant Hunting Regions” - a partir de uma obra de grande valor para o especialista e amador de botânica como da Natureza em geral.



Por
Horst Engels, Cecilia Sousa, Luísa Diniz, Nicole Engels, José Saraiva, Victor Rito
da
Associação “Trilhos d’Esplendor”



2.13 The Northern Serras of Portugal


2.13 The Northern Serras of Portugal
2.13.1 Serra da Lousã, do Açor e Encosta oeste da Serra da Estrela (Loriga)

Folhas de Cálculo:  

Bases de Dados:
  1. Carta Militar (1:25.000) (JPG;GIF)









2.13.1c Serra da Lousa (III) (cont.)




E apesar dos incêndios e da ameaça por espécies invasoras como a Acacia dealbata (que propaga sobretudo com os fogos), existe na Serra da Lousã ainda um espectro largo e valioso de plantas vasculares, algumas bastante raras.



Reseda phyteuma, Estrada Nacional 236, Lousã


Reseda phyteuma, Estrada Nacional 236, Lousã



Uma da raridades desta serra é a Reseda phyteuma que encontramos à meio caminho entre Lousã e Candal nas bermas da Estrada Nacional 236 que conduz à Castanheira de Pera e que também permite chegar à estrada ao Trevim, ponto mais alto (1205m NN) da Serra da Lousã. Quase todas as plantas aqui ilustradas encontramos ao longo da Estrada Nacional 236 e no lugar de Santo António da Neve, perto de Trevim.


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Frutos e sementes de Reseda phyteuma


Também as linárias são bem representadas - com uma espécie rara, a Linaria triornithophora, um endemismo da Península Ibérica, que encontramos também na Estrada Nacional 236, mas já um bocadinho acima da aldeia de xisto Candal, á seguir a uma fonte na Lomba de Visinhos.


Linaria triornithophora




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Linaria triornithophora, hábito e sementes




Mais uma linaria bonita, a Linaria saxatilis, igualmente um endemismo ibérico, que encontramos nos rochedos de xisto na beira da Estrada Nacional 236, abaixo de Candal.



Linaria saxatilis (Estrada Nacional 236, Lousã)


Linaria saxatilis (Estrada Nacional 236, Lousã)




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Linaria saxatilis, frutos e sementes



Também na Lomba dos Vizinhos, acima de Candal, numa altitude de ca de 600m NN,





encontramos uma pequena espécie do género Galium da família das Rubeaceae, que identificamos como Galium rotundifolium.


Galium rotundifolium


 
Galium rotundifolium



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Galium rotundifolium



A espécie Omphalodes nitida encontramos em várias altitudes entre 250-700m NN em sítios bastante húmidos e sombrios, p.exemplo acima da Central Hidroeléctrica, mas também nas bermas da Estrada Nacional 236, normalmente em sítios onde havia uma corrente de água.



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Omphalodes nitida, flor e fruto



Também encontramos alguns Myosotis.que no entanto não foram identificados.


 
Myosotis spec.



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Na entrada da aldeia Candal estava Campanula lusitanica numa parede de xisto junto com Sedum spec..



Campanula lusitanica e Sedum spec.



Mais para cima, numa altitude de ca de 1100m NN, ao pé da Capela de Santo António da Neve, encontramos no prado Arenaria alpina (Caryophyllaceae), Veronica officinalis (Plantaginaceae), Potentilla erecta (Rosaceae), Chamaemelum nobile e  ?Sherardia arvensis (Rubiaceae) em floração.



Arenaria montana (Caryophyllaceae)


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Arenaria montana (Caryophyllaceae)


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Potentilla erecta e Veronica officinalis






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Chamaemelum nobile





E na berma da estrada que conduz para Trevim também encontramos Chamaemelum nobile, mas também ainda Polygala microphylla em flor.


 
Chamaemelum nobile, Estrada para Trevim, Serra da Lousã


Polygala microphylla




É aqui ao pé da Capela de Santo António da Neve, perto do cume mais alto da Serra da Lousã (Trevim, 1205m NN),  onde se encontram também os Poços da Neve (“Nevoeiros”).

Na freguesia de Santo António da Neve subsistem três dos antigos sete poços de neve aí existentes, que serviam para armazenar a neve e conservá-la até ao verão. Nos poços, bastante profundos, era depositada a neve que os trabalhadores calcavam até ficar em gelo, protegendo-a com fetos e palha. De acordo com a Monografia de Castanheira de Pêra ( Kalidás Barreto, 1989) que seguimos, esta actividade encontra-se documentada a partir de 1757, por um alvará de D. José, onde o monarca revela grande preocupação com a "Real Fábrica que se acha no Cabeço do Coentral", ordenando atenção aos nevões e aos possíveis estragos nos poços e solicitando ainda mais trabalhadores para juntar neve. Para além dos poços há também notícia e vestígios de alagoas, ou seja, pequenos tabuleiros para depósito das águas da chuva, depois transformadas em gelo.
Uma vez chegado o verão, a neve era dividida em blocos e enviada para Lisboa, onde era utilizada em gelados, ainda que boa parte não chegasse nas melhores condições, devido os deficientes sistemas de acondicionamento (palha, fetos, caixotes) para uma viagem tão longa.
Exteriormente, os poços são octogonais e um deles circular, cobertos por abóbadas em forma de sino, executadas em pedra da região. A entrada é feita através de uma porta simples, e estreita, cuja abertura teve em consideração a menor intensidade possível de sol nesse local. O interior, muito profundo, apenas era acessível por escadas de madeira.
A actividade junto aos poços era de tal ordem que dificultava a assistência aos serviços religiosos e a deslocação dos trabalhadores à igreja de Coentral prejudicava a Real Fábrica. A solução do problema coube a Julião Pereira de Castro, neveiro-mor da Casa Real que, em 1786, decidiu erguer uma pequena capela no Cabeço do Pereiro. A inscrição que ainda hoje se pode ler assim o refere: "Esta capela do glorioso Santo António de Lisboa a mandou fazer Julião Pereira de Castro reposteiro do nosso reino da câmara de sua Majestade e neveiro de sua Real casa em terra sua ano 1786".
Conhece-se a data da licença do Bispo D. Miguel de Anunciação - 6 de Maio de 1778 -, época em que a capela estaria concluída ou, pelo menos, apta a ser palco das celebrações religiosas.
Trata-se de um pequeno templo de nave única com sacristia adossada à direita. A fachada principal, delimitada por pilastras nos cunhais, é marcada pela abertura do portal, com remate de cornija semicircular, e por duas janelas que o enquadram. Termina em frontão triangular, com cruz na empena e óculo no tímpano, sendo flanqueado pelos pináculos que coroam as pilastras.
(Rosário Carvalho)


Nas paredes num destes poços encontra-se uma flora vascular bastante interessante; por exemplo os fetos Asplenium trichomanes, Asplenium-ruta muraria e Ceterach officinarum. Também encontram-se aqui morango silvestre (Fragaria vesca) e Sagina spec. (Caryophyllaceae) entre outras espécies.


“Nevoeiro” - com plantas vasculares raras na parede


 
Asplenium-ruta muraria e Asplenium trichomanes na parede do “Nevoeiro”





Esporângios em Asplenium-ruta muraria



Os fetos (pteridófitos) e os musgos (briófitos) da Serra da Lousã, da Serra do Açor e das encostas Oeste da Serra da Estrela (na proximidade de Loriga) merecem interesse especial. Paredes de xisto, ribeiras pequenas, vales sombrios e as condições climáticas com elevadas pluviosidades e como temperaturas amenas no inverno ofereceram condições de sobrevivência para espécies da antiga flora de Laurissilva (J. Paiva) Algumas enclaves de florestas com Prunus lusitanica conservaram uma brioflora de bastante valor.



Aqui fotos de uma espécie de um musgo (Plagiomnium undulatum) invulgar. O musgo Plagiomnium undulatum (Mniaceae) registou-se ao pé da Central Hidroeléctrica da Ermida, no início da subida para Talasnal. Plagiomnium undulatum está também mencionado em Cecília Sérgio et. al. (2001) para uma enclave de floresta com Prunus lusitanica da Serra da Estrela e é conhecido por vários sítios de Portugal (C. Sérgio & S. Carvalho, 2003).



Plagiomnium undulatum (Central Hidroeléctrica da Ermida, Lousã)



Plagiomnium undulatum (Central Hidroeléctrica da Ermida, Lousã)



A seguir fotos de fetos registados durante diversas excursões para a Serra da Lousã.






No caminho entre o Castelo da Lousã e a Central Hidroélectrica da Ermida e no início da subida para a aldeia Talasnal registamos algumas espécies de fetos:


Asplenium onopteris, caminho entre Castelo da Lousã e Central da Ermida


Asplenium onopteris, caminho entre Castelo da Lousã e Central da Ermida









Asplenium onopteris, caminho entre Castelo da Lousã e Central da Ermida





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Polystichum setiferum





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Polystichum setiferum


Polypodium spec.



Outras espécies encontramos na N236 que conduz de Lousã para Castanheira de Pera.




Sítio de registo de Osmunda, Cheilanthes e Anogramma,
Athyrium, Polystichum e Blechnum e Adiantum capellus-veneris


 
Osmunda regalis (Pé da Lomba - N236 - Lousã)


Osmunda regalis (Pé da Lomba - N236 - Lousã)



DSCN7885.JPG
Adiantum capillus-veneris









Cheilantes ?hispanica (N236 ao pé de Fonte Seca, Serra da Lousã)



Cheilantes ?hispanica (N236 ao pé de Fonte Seca, Serra da Lousã)



Anogramma leptophylla (N236 - acima de Pé da Lomba, Serra da Lousã)


Anogramma leptophylla (N236 - acima de Pé da Lomba, Serra da Lousã)





Athyrium filix-femina



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Athyrium filix-femina




Blechnum spicant




Mais acima na N236, ao pé da Ribeira de Candal dentro da aldeia do Candal, registamos as seguintes espécies de fetos:




Polystichum setiferum, Ribeira do Candal


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Polystichum setiferum, Ribeira do Candal




Dryopteris spec. junto ao Hypericum androsaemum



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Dryopteris spec.






Dryopteris spec. e Blechnum spicant



Polystichum ?setiferum



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Cystopteris viridula

Vegetação




Extrato da Carta Biogeográfica de Portugal (Costa et. al. 1998)


Legenda para o extrato da
Carta Biogeográfica de Portugal (Costa et. al. 1998)



Biogeograficamente a Serra da Lousã distingua-se da Serra da Estrela. Enquanto a Serra da Lousã pertence ao Sector Divisório Português da Província Gaditano-Onubo-Algarbiense, mas com fronteiras com a Província Luso-Extremadurense, a Serra da Estrela forma um próprio Sector Estrelense na Província Carpetano-Ibérico-Leonensa.


J. C. Costa et. al. (1998) caracterizam a província Gaditano-Onubo-Algarbiense da seguinte forma:


Província Gaditano-Onubo-Algarviense
A Província Gaditano-Onubo-Algarviense é uma unidade biogeográfica essencialmente litoral que se estende desde a Ria de Aveiro até aos areais da Costa del Sol e aos arenitos das serras gaditanas do Campo de Gibraltar. Inclui os Sectores Divisório Português, Ribatagano-Sadense, Algarviense, Gaditano-Onubense e Algíbico. Os substratos predominantes são arenosos e calcários.
A flora e vegetação desta Província é rica em endemismos paleomediterrânicos e paleotropicais lianóides e lauróides de folhas coriáceas. Devido ao carácter ameno (oceânico ou hiperoceânico), com quantidades de frio invernal muito baixas, numerosas plantas termófilas e de gemas nuas encontraram neste território litoral e sublitoral o seu refúgio, tendo sido pouco afectadas pelas sucessivas glaciações. Estas plantas, próprias dos bosques termófilos de carácter oceânico (Quercion broteroi p.p. e Querco-Oleion sylvestris), desaparecem dos azinhais, sobreirais e carvalhais mais continentais porque não puderam recolonizar as áreas mais frias do interior da Península Ibérica durante o Holoceno. Esta particularidade climática e paleo-ecológica, permitiu ainda a entrada de inúmeros elementos mauritânicos e pôntico-índicos, assim como a persistência dos referidos elementos terciários paleomediterrânicos em comum com a Sub-região Macaronésica (e.g. Myrica faya, Convolvulus fernandesii, Cheilanthes guanchica, Polypodium macaronesicum, Woodwardia radicans, etc.). As principais vias migratórias florísticas que confluem neste território são as vias litoral mediterrânica e a correspondente à dorsal calcária bética (das Baleares ao Barrocal algarvio). Do Norte, por seu turno, chegaram sucessivamente táxones atlânticos planifólios e de folha branda da classe Querco-Fagetea, nos períodos em que o macroclima temperado atingiu latitudes mais baixas (Acer spp., Querci caducifólias, Ilex, Inula, Sorbus, etc.). As ericáceas atingiram também esta Província na mesma altura (sobretudo durante o Período atlântico). De modo análogo, a flora predominante nos matagais altos (nanofanerofíticos) – Asparago-Rhamnion (Pistacio-Rahmanetalia alaterni) possui uma grande riqueza em arbustos com origem paleotropical xérica (sp. de Olea, Pistacia, Rhamnus, Myrtus, Asparagus, etc.), que sobreviveram à transição do clima tropical para o mediterrânico durante o Miocénico. Estes ocorrem ainda como comunidades permanentes ou etapas de substituição em territórios não muito pluviosos e quentes. ...





Apresentamos ainda alguns links para amostragens da FLORA-ON das plantas registadas para esta região antes de seguir para a Serra da Estrela (com aproximadamente 2000m de altitude a serra mais alta de Portugal).


Não tivemos tempo de visitar a Mata da Margaraça e a Fraga da Pena na Serra do Açor. Mas os registos na FLORA-ON (Quadrícula NE95) demonstram a riqueza florística que estes sítios possuem.


O ICNF caracteriza os sítios da seguinte forma:


Na serra de Açor, domínio do xisto, as dobras e fracturas originam um tipo de relevo característico, vigoroso mas de contornos arredondados, sulcado por vales com grandes quedas de nível, linhas de água encaixadas e onde, por vezes, se encontram curiosos acidentes geológicos, como das quedas de água da Fraga da Pena.
       A Paisagem Protegida da Serra de Açor (PPSA) situa-se no concelho de Arganil, distrito de Coimbra. Os 382ha que a constituem distribuem-se pelas freguesias de Benfeita e de Moura da Serra.


       Na área da PPSA encontram-se dois sítios de especial interesse, a Mata da Margaraça e a Fraga da Pena. A Mata da Margaraça, localizada próximo da povoação de Pardieiros, ocupa cerca de 68ha numa vertente  com exposição N-NW, entre os 600-850m de altitude. Esta mata constitui uma das raras amostras ainda existentes da vegetação natural das encostas xistosas do centro de Portugal tal como existiria séculos atrás e destaca-se na paisagem alterada pelos fogos florestais da Serra do Açor. Apresenta-se como uma floresta muito antiga dominada por castanheiro e carvalho-alvarinho, que coexistem com outras espécies de interesse como o azereiro, o loureiro, o azevinho, entre muitas outras. Os diferentes habitats da Mata da Margaraça permitem o crescimento de comunidades muito diversificadas, nomeadamente de fungos, briófitos e animais que encontram aqui o seu habitat preferencial.
       A Fraga da Pena localiza-se num pequeno desvio da estrada que liga Benfeita a Pardieiros. Resulta de um acidente geológico que origina um conjunto de várias quedas de água ao longo de um curso de água permanente, constituindo um local de grande importância paisagística. As margens da linha de água conservam ainda alguns exemplares antigos de carvalho-alvarinho, azereiro, azevinho, castanheiro, aderno, entre outras.



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NE63 - Serra da Lousã
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NE73 - Serra da Lousã

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NE95 - Mata da Margaraça
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PE06 - Loriga (Serra da Estrela)



Veja à seguir: 13. The Northern Serras of Portugal (Serra da Est​rela)











2.13.1a - Serra da Lousã (I)




“Flowers of South-West Europe - a field guide” - de Oleg Polunin e B.E. Smythies


“Revisitas” de regiões  esquecidas no tempo - “Plant Hunting Regions” - a partir de uma obra de grande valor para o especialista e amador de botânica como da Natureza em geral.


Por
Horst Engels, Cecilia Sousa, Luísa Diniz, Nicole Engels, José Saraiva, Victor Rito
da
Associação “Trilhos d’Esplendor”


2.13 The Northern Serras of Portugal





2.13 The Northern Serras of Portugal
2.13.1 Serra da Lousã, do Açor e Encosta oeste da Serra da Estrela (Loriga)

Folhas de Cálculo:  

Bases de Dados:
  1. Carta Militar (1:25.000) (JPG;GIF)






2.13.1 Serra da Lousa (I)



Logo na saída de Coimbra ao longo do rio Ceira em direcção para a Lousã, na Estrada Nacional N17 (a antiga estrada da Beira que leva à Guarda), reparamos na mudança abrupta da flora em terras de xistos e grauvaques. Aparecem aqui Rumex induratus e Dianthus lusitanus nas paredes e rochedos da margem da estrada nacional.



 
Dianthus lusitanus



 Rumex induratus numa encosta que está na recuperação de um incêndio



Rumex induratus


Além de estufas e hortas com citrinos e outras árvores de cultivo comercializados nesta região com clima ameno no inverno e quente no verão, infelizmente também existem aqui as plantações extensas de eucalipto (Eucalyptus globulus) e encostas invadidas por Acacia dealbata, espécie originariamente ornamental que se tornou uma autêntica praga na Serra da Lousã e que está em vias de destruir grande partes da floresta autóctona.



 
 Acacia dealbata - planta invasora em Portugal


A Serra da Lousã, com solos de xistos e grauvaques, não é uma região fértil para a agricultura e horticultura, mas a floresta tem servido para comercialização e produção de carvão a partir das extensas florestas de castanha (Castanea sativa), de Quercus sp. (Q. robur, Q. pyrenaica e Q. suber) e de outros espécies num clima ainda bastante influenciado pela proximidade do oceano atlântico. Também a industria de lanifícios e textil tem sido muito importante no passado para a região.


Existem na Serra da Lousã, na Serra do Açor e nas encostas oeste da Serra da Estrela (sobretudo nas proximidades de Loriga) ainda pequenas enclaves de florestas com espécies relíquias de azereiro (Prunus lusitanica), do loureiro (Laurus nobilis) e de azevinho (Ilex aquifolium) provenientes da antiga floresta de Laurissilva que tornam a região interessante para o botânico e estudiador da biodiversidade. Mas é o turismo que se tornou recentemente a esperança desta região.


Doutor Jorge Paiva da Universidade de Coimbra escreve sobre a floresta sempre-verde relíquia da Laurissilva e as espécies que sobreviveram na Serra da Lousã:


O actual coberto vegetal da Serra da Lousã, à semelhança da generalidade das montanhas portuguesas, pouco tem a ver com o que se supõe ter sido o seu revestimento florístico natural original. Na zona atlântica, que abrange todo o Norte do País e um pouco da zona central, ainda ocorrem elementos residuais da floresta sempre-verde dos climas temperados – a Laurisilva – que à 5 M.A. antes das glaciações e com um clima relativamente quente e húmido, teria coberto as costas do Mediterrâneo norte-ocidental:
      • o Azereiro (Prunus lusitanica L. subsp. lusitanica);
      • o Azevinho (Ilex aquifolium L.);
      • o Feto-real (Osmunda regalis L.);
      • o Folhado (Viburnum tinus L. subsp. tinus);
      • a Hera (Hedera helix L.);
      • o Loendro ou Adelfeira (Rhododendron ponticum L. subsp. baeticum (Boiss.&Reut.) Hand.-Mazz);
      • o Loureiro (Laurus nobilis L.);
      • o Medronheiro (Arbutus unedo L.).


Alguns destes elementos sempre-verdes subsistem na Serra da Lousã nos recantos húmidos e frescos, nas matas ribeirinhas, ou abrigados nas florestas caducifólias de Carvalhos (Quercus spp.) ou de Castanheiros (Castanea sativa Miller) que substituíram a floresta sempre-verde e que teriam constituído a “última” cobertura florestal natural da Serra. Assim segundo PAIVA, (1988):
...”a Serra da Lousã deveria ter sido um imenso carvalhal constituído predominantemente pelo carvalho-alvarinho (Quercus-robur L.) e talvez também, nos pontos mais altos, pelo negral (Quercus pyrenaica Willd.), com sobreirais (Quercus suber L.) nas zonas de climas mais temperados e secos. Testemunhos destas formações são os resquícios de carvalhos que se encontram nalguns vales da Serra da Lousã.(...)
Dr. Jorge Paiva, O Coberto Vegetal da Serra da Lousã in Jornadas de Cultura e Turismo, (16-17 de Julho de 1988), Câmara Municipal da Lousã, Lousã, 1988


Azevinho (Ilex aquifolium - à direita)
numa ribeira na Serra da Lousã





Azereiro (Prunus lusitanica) (Fonte: WIkipedia)


Castanheiro antigo (Castanea sativa) perto de Candal


Hoje as “Aldeias do Xisto” são uma atração turística valiosa - depois de uma recuperação de casas antigas largamente abandonadas durante o período da emigração pós-guerra.


Aqui algumas fotos de um passeio feito em 2005 - a partir do Castelo da Lousã para a aldeia de Talasnal (um caminho em que se sube a partir da Central Hidroeléctrica (a mais antiga de Portugal) num sotão antigo de castanheiros até a aldeia de Talasnal), altura em que a recuperação das casas antigas de Talasnal já tinha começado. Mas ve-se nas imagens que a maioria das ruinas ainda estava cobertas de eras - tinha-se começado também nesta altura de criar um sistema de canalização de água para esta aldeia.


Castelo da Lousã (Castelo de Arouce)


Dianthus lusitanus nos rochedos de xisto


Dianthus lusitanus

Central Hidroeléctrica da Ermida


Trilho pelo sotão para Talasnal - a partir da Central Hidroeléctrica


Jasiona ?montana com uma borboleta



Jasiona ?montana com uma borboleta


Ermida da Senhora da Piedade





 
Castanheiros velhos (Castanea sativa)



Prunella grandiflora
por baixo de Genista falcata


Prunella grandiflora



Aquilegia vulgaris subesp. dichroa


Ruina de casa no caminho para Talasnal


Ruinas de casas cobertas com hera (Hedera helix) da aldeia Talasnal


Ruina de casa coberta com era da aldeia Talasnal


Parte de Talasnal em vias de recuperação


Casa antiga com varanda - balaústres (grades) em madeira de castanho



A varanda da casa em pormenor


Corrimão em castanho
de uma escada 

 


A seguir uma série de fotos de Candal que também teve muitas obras paisagísticas e de recuperação de casas.


Fonte da aldeia de Candal, Serra da Lousã



Casas de Xisto em Candal


A Ribeira de Candal com obras paisagísticas bem integradas e um
habitat rico em fetos e outras plantas ribeirinhas


Sotão antigo (Sotão do Porto Estieiro) de castanheiros (Castanea sativa)


Casa de xisto bem integrada na paisagem




Veja à seguir: 13. The Northern Serras of Portugal (Serra da Lousa II (cont.))



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