2.1 Algarve
2.1.
Algarve
2.1.1.1.1
Costa Vicentina
2.1.1.2
Centro
2.1.1.3
Sotavento (Oriental)
2.1.3
The Serras
2.1.3.1
Monchique
2.1.3.2
Malhão
2.1.3.3
Caldeirão
2.1.4 Annexo: "Algarbien" - de Moritz Willkomm (1849) |
2.1 Algarve
Relatos botânicos de Espanha
De
Moritz Willkomm
14. Cadiz, Março de 1846
Para não deixar passar o inverno sem proveito, decidi fazer uma excursão para a parte mais sul de Portugal quer dizer para o Reino do Algarve; a única região da costa sul da Península Ibérica que todavia não conhecia. Embarquei assim em 9 de Janeiro num veleiro pequenino, com destino para
Ayamonte
, a partir donde estava decidido de ir à pé para o Algarve. O vento favorável de Norte que encheu as velas quando deixamos a baía de Cadiz, mudou infelizmente logo para Sul-Oeste quando tinhamos passado a foz do Guadalquivir, e obrigou nós de procurar asilo contra a tempestade que estava a chegar no
Canal de Huelva
, e que na realidade não tardou de começar e que continuou durante 3 dias, acompanhado por chuvas torrenciais, e que não permitiu nem continuar a viagem, nem sair do barco. Apenas mais tarde tive oportunidade de visitar as ilhas de areia que se encontravam nos sapais e na parte da foz do rio, que no entanto, nesta altura não tinham interesse botânico. São cobertas de pinheiros torcidos onde nas suas sombras se encontram tamariscos, alecrim, cistáceas,
Juniperus macrocarpa
Salzm.,
J. oxycedrus
L.,
Spartium junceum
L.,
Sarothamnus affinis
Boiss. e
Rhamnus infectorius (?Rhamnus lycoides)
L., por baixo do qual começavam já a florir aqui e acola
Lavandula Stoechas
,
Helichryson Stoechas
|
|
e
Malcolmia parviflora
. Nas partes mais baixas e salgadas da ilha, onde se encontra a
Torre de Larenilla
[10]
, um posto da alfândega, estava já em flor
Polygonum marinum
,
e acima das dunas ao longo do canal crescia em grande quantidade a bonita e arbustiva
Armeria pungens
Lk. Hoffm. que infelizmente não tive a oportunidade de ver em tempo de floração. Dispersas ao longo de toda ilha vi também arbustos grandes de
Empetrum album
L., em floração plena, um arbusto que me lembro ter visto também nos arredores da baía de Cadiz e que se encontra novamente nas margens de areia do lado português do Guadiana. Da parte dos cistáceas começaram já
Helianthemum halimifolium
e
Cistus ladaniferus
a abrir as suas grandes flores e prometeram uma primavera precoce. A última das duas espécies começa a ficar mais abundante para oeste e norte, cobrindo as colinas da Serra Morena quase inteiramente e na qual se expande a sua distribuição, como se sabe, muito para este.
As dunas de areia da margem oeste do canal e do atlântico encontrei densamente povoadas com a arbustiva
Artemisia crithmifolia
L., uma espécie bonita com folhas pinnatisectas carnosas.
Impedido pelos ventos adversos e chuvas contínuas, consegui sair de
Huelva
[11]
, para onde tinha ido …, apenas em 23 de Janeiro, no dia em que parti pelo lado terrestre para
Ayamonte
.
Nos pinhais … que se existem por todos lados ao longo da costa entre as cidades Lepe e Ayamonte, inseridas no meio de laranjais, estava em grande quantidade em flor o curioso
Ulex Boivini
Webb), um arbusto gracioso que confundi uns meses atrás com
U. genistoides
Brot. do qual ele se distingue no entanto por um lado pelo
|
|
seu hábito (Habitus), por outro lado pelas suas vagens muito mais pequenas e sem pelos, enquanto
U. genistoides
possui vagens mais compridas e cobertas com pelos (de “lã”) castanhos. Também encontrei aqui e acola a graciosa
Ixia ramiflora
Ten., que já tinha recolhido um ano antes nos arredores de Cadiz, e que se encontra a partir de Málaga em toda Andalucia occidental e no Algarve, e que sobe nas montanhas até 4000 pés.
Na sequência do anterior tempo chuvoso quente e primaveral notava-se um importante desenvolvimento da vegetação nos arredores da simpática cidade de Ayamonte....
Nas encostas ingremes de uma colina de
brecha
dura, onde se encontra no cume da mesma uma ruina de uma fortificação antiga, estava
Anagyris foetida
em grande quantidade em flor, as amendoeiras mostravam por todo lado as suas flores grandes brancas e arosadas, os campos e prados cheios de crucíferos como a graciosa
Brassica arenaria
Brot.(?
B. barrelieri
)
, diversas espécies de
Diplotaxis
,
Raphanus Raphanistrum
,
Malcolmia parviflora (?M. ramosissima)
[12]
,
Alyssum ?campestre
[13]
; como também de
Nonnea pulla (?Lycopsis pulla)
,
Cynoglossum clandestinum
[14]
,
Salvia verbenaca
,
Calendula arvensis
,
Thrincia grumosa
Brot.,
Linum agreste
Brot.,
Silene bipartita
Desf.
[15]
,
Fumaria agraria
Lag.
[16]
; em valas e lugares húmidos cresceu
Borrago officinalis
e
Narcissus niveus
Lois.. Acima de cascalho húmido e por baixo de figueiras
Smyrnium Olusatrum
[17]
desenvolveu já as suas umbelas verde amarelados, como também uma graciosa
Oxalis
com grandes flores amarelas.
No meio de arbustos como
Anagyris foetida
,
Sarothamnus affinis
[18]
,
Rhamnus Alaternus
,
Atriplex Halimus
e outros encontrava-se um
Sonchus
gracioso com um caule pouco folhado, e em sítios arenosos com giestas anunciava-se de longe
Erophaca baetica
[19]
perante os seus cachos de flores brancas-amarelas.
Em paralelo com a já mencionada cresta de arenites amarelos e de brecha que se estende a partir da Foz do Guadiana ao longo da costa para este, separada pelo pantanoso vale do Valedejudia, de um pequeno rio que provém das montanhas de Villablanca, começam a nascer as primeiras colinas xistosas de uma Serra da Morena que por cada milha que se passa levanta-se mais alta, em parte coberta ainda por delgados pinheiros jovens.
|
|
Aqui estavam frequentemente em flor uma pequena ?
Diplotaxis
acompanhada por
Ixia ramiflora
,
Bellis annua
,
Thrincia grumosa
e
Linum agreste
; no sob-coberto aparecem aqui e acola já as flores vermelhas grandes de
Cistus albidus
[20]
, e nos pantanos de uma vegetação caduca do outono de salsoláceas, chenopodeáceas e plumbagináceas as inúmeras flores brancas de uma ranúncula aquática.
Depois de 8 dias de estadia em
Ayamonte
segui para a margem portuguesa e escolhi a principal do Algarve,
Faro
- nove leguas distantes da Foz do Guadiana, como a minha estadia principal. Antes de falar da fisionomia vegetativa do Algarve, considero oportuno para não ter necessidade de me repetir mais tarde, de pronunciar algumas palavras gerais sobre a situação geognóstica deste pequeno país interessante que tive oportunidade de conhecer em praticamente todas as suas partes durante a viagem de três semanas. O Reino do Algarve que meramente cobre uma area de cerca de 100 milhas quadradas divide-se muito naturalmente em 3 faixas ou sintos paralelos à costa sul que o povo distingue de forma muito precisa e exacta e que designa como
costa
,
barrocál
e
serra
. A faixa costeira de 1 e meia até 2 horas de largura consiste de areia solta; apenas na região de Faro a areia consolida para um arenite mole, amarelo e vermelho, que algumas horas mais para oeste tem tomado durante milénios, apenas na margem imediata da costa, devido à acção do mar, uma consistência mais dura e que forma a partir de Albufeira até ao Cabo São Vicente falésias ingremes estranhamente fraccionadas e rasgadas que tornam esta costa sul-oeste de Portugal numa paisagem extraordinariamente pitoresca.
Apesar da aparente infertilidade desta faixa costeira, constitui a costa a parte mais povoada e cultivada do Algarve, nomeadamente entre a Foz do Rio Guadiana e Faro onde a aplicação e diligência incansável destes habitantes, pelo resto pouco avançados, tornou este deserto de areia num paraíso de hortas cujos pontos mais brilhantes são os arredores da cidade bonita de Tavira.
|
|
Grandes plantações de laranjas e de limões, meio cobertas pelas areias de dunas e areias soltas que se encontram perto da cidade de
Villareal de Santo António
construida do lado oposto de Ayamonte na Foz do Guadiana, enterradas entre faixas de dunas mais altas do que casas e cujas cristas brilham à luz da lua durante a noite como cristas brancas de neve.
Autênticas florestas de alfarrobeiras com folhagem densa e de oliveiras pretas alternam com figueiras e laranjeiras, com vinhas e plantações de legumes, separadas por campos de trigo esverdeados e contornadas por amendoeiras e amoreiras; e este país todo que se compara à uma floresta perenifólia, com algumas palmeiras …que sobresaiem com as suas folhas pinadas, está cheio de pequenas casas do campo e aldeias simpâticas cujas casas solidamente construídas testemunham a prosperidade da povoação.
Quase igualmente bem povoada é a faixa de colinas, rico em água, que forma o espaço intermediário entra as faixas costeiras que acabamos de descrever e as serras do Algarve. Esta faixa de colinas cujos cumes pouco ultrapassam 1000 pés em altitude consiste de calcários, brecha, margas, argilas e areias com o nome bonito portugues de
barrocál
parece indicar (composto de
barro
- argila, cal e margas).
Devido à topografia deste país muitas partes não são cultivadas, mas cobertas de uma vegetação arbustiva diversificada; em contrapartida os vales, “desfiladeiros” e encostas das montanhas são caracterizadas por cultivos diversos entre quais a figueira constitui a parte maior, nomeadamente os tufos calcários com água em abundância dos arredores da cidade Loulé são uns dos sítios mais bonitos de toda Península Ibérica.
…
…
|
|
…
Apenas poucas aldeias encontram-se dispersas nos vales das montanhas, cujos habitantes alimentam-se normalmente de produção de carvão vegetal, do trabalho em minas, criação de gado ou na profissão de “almocreves” e de trabalhos artesanais com “esparto” e das folhas de
Chamaerops humilis
das quais as mulheres sabem trabalhar peças delicadas.
…
Nas areias das dunas à volta de
Villareal
encontrava-se nesta altura do ano a rara
Linaria lusitanica
Brot.
[21]
com as suas espigas densas de flores verde amareladas enquanto as suas caules frágeis com folhas carnudas de verde azulado estavam dispersas e meio enterradas na areia. Também começou a mostrar-se a graciosa
Linaria praecox
Lk. Hoffmgg.
[22]
qual por oeste, nomeadamente na região de Faro, é abundante com distribuição até Albufeira, a partir de onde é substituida pela não menos elegante
Linaria linogrisea
Hoffmsgg.
[23]
que chega na sua distribuição até ao Cabo São Vicente. Além disso observei nas dunas de Villareal o já mencionado
Empetrum album
[24]
, também em grandes quantidades em floração
Artemisia crithmifolia
[25]
,
Scrophularia canina
var.
frutescens
,
Senecio crassifolius
DC
., e em depressões húmidas
Erodium cicutarium
[26]
var.
praecox
Cav.,
Stachys arvensis
[27]
L., diversas
eufórbias
e outras plantas das praias.
…
Narcissus Bulbocodium
[28]
que se mostrou nas formações areníticas de Faro e nos prados das depressões das serras algarvias e provavelmente continue pela Serra Morena muito para este. Nas planícies estéreis de arenites por norte-este de Faro que se prolongem para este entre Faro e Olhão em depressões pantanosas e salgadas, encontrava-se por baixo de
Ulex genistoides
diversas espécies de
Thymus
em estado vegetativo além do já mencionado
Narcissus Bulbocodium
e da aqui abundante
Ixia ramiflora
a bem cheirosa
Scilla odorata
[29]
Brot., também a pequena
Arenaria emarginata
[30]
Brot.,
|
|
uma espécie de um dedo de altura com petalas ligeiramente vermelhas e margens recortadas de entalhes que, no entanto, tal como a bonita
Myagrum iberioides
Brot., é muito raro de encontrar.
Nas cercas de
Agava
ou de diversos arbustos entrelaçados de
Aristolochia subglauca
[31]
Brot., que considero apenas uma forma de
Aristolochia baetica
DC. de que se distingue em princípio apenas pelas folhas que do lado inferior são de cor fortemente verde-azulado.
…
Cerca de ¾ por oeste de Faro começa um pinhal extenso com pinheiros velhos que cobre quase até
Albufeira
o litoral. Nas sombras das árvores estava a bonita
Erica umbellata
[32]
L. abundantemente em flor e perto de Faro encontraram-se em lugares abertos por baixo de arbustos baixos em flor
Ulex Boivini
,
U. genistoides
,
Erica umbellata
,
cistáceas
etc., a bonita
Scilla monophylla
Lk. (Sc. pumila Brot.) além de
Helianthemum salicifolium
[33]
e
H. guttatum
[34]
, e na areias das vinhas próximas um
Eriodium
praticamente sem caula e com folhas penatissectas purpureo-esverdeadas,
Brassica sabularia
[35]
,
Linaria praecox
[36]
,
Lupinus hirsutus
[37]
e
L. angustifolius
[38]
.
Na parte da manha de 6 de Fevereiro parti da capital do Algarve para me dedicar algum tempo ao “Barrocal”, escolhendo o pitoresco
Loulé
para a estadia. Parti mais tarde pelo caminho das minas de cobre de Alte e de São Bartholoméu dos Mossines para a cidade antiquissima de
Silves
, da antiga residência dos Reis muçulmanos de “Ambos os Algarves”. As integralmente com alfarrobeiras e diversos arbustos cobertas colinas com declives ingremes. não satisfazerem as minhas espectativas que a costa rica em flores tinha criada em mim. Aqui e acola mostrou-se em flor uma formidável
Erica australis
L. e nos arredores de Loulé e Alte já se encontrava em flor a por aqui abundante e arbustiva
Osyris quadripartida
[39]
Salzm., em comunião com
Anagyris foetida
,
Viburnum Tinus
,
Rhamnus Alaternus
e arbustivas
Coronilla
.
Na colina da capela de Nossa Senhora de Piedade de Loulé observei
|
|
já uns exemplares da bonita
Ophrys atrata
[40]
Lindl, e entre
Alte
e
São Bartholomén
, em comunião com o vulgar
Narcissus niveus
, uma espécie de flor amarela e bem cheirosa deste
Género
, com caule ouco, multifloral e folhas junciformes meio redondas e oucas,
Narcissus juncifolius (?N. jonquilla)
que mais tarde reencontrei em maior número em sítios parecidos entre a Serra e Lagos. Nas orlas dos prados e campos estava por aqui e acolá, como em todo Algarve ocidental com exceção da serra, a polimorfa
Salvia verbenacoides
em floração que substitui aqui a comum espécie de
Salvia verbenaca
. Também
Fedia cornucopiae
estava a abrir as suas flores vermelho-purpúreas.
A aldeia pobre de
Alte
que no entanto devido às recentemente abertas minas de cobre deve ter um futuro próspero, está situada nos sopés da serra que aí são em maior parte areníticas. Nos seus arredores encontrei esporadicamente
Narcissus juncifolius
Lag., como encontrei aí também pela primeira vez a bonita
Erica lusitanica
[41]
Lk. que na altura confundi com
Erica arborea
[42]
com que é muito parecida nos seu hábito.
Em bosques de
Quercus ilex
e
Qu. Ballota
apareceram na terra humosa as folhas de uma
Paeonia
[43]
que infelizmente não consegui ver em flor. Dispersas nos subarbustos dos montanhas vizinhadas encontrei por tudo o barrocal e a serra
Lithospermum
prostratum
e
L. fruticosum
, ambas em flor. -
Como a flora no barrocal ainda não estava suficiente desenvolvida para justificar uma estadia mais prolongada, decidi de visitar a serra, e especialmente a do
Monchique
elogiado pelo povo por sua riqueza em ervas, - e assim parti no dia 13 de Fevereiro de Silves para me deslocar e transversar a Serra do Algarve em direcção ao Monchique. como não estava de esperar que devido à maior altitude da serra a flora seria mais avançada, não fiquei pouco surpreendido de encontrar uma serra com os arbustos à florir em grande quantidade....
Uma olhada para as pedras xistosas e a vegetação arbustiva convenceram-me que esta serra não é outra coisa do que um prolongamento da Serra Morena.
Cistus ladaniferus
dominava em geral, e nos apices de alguns dos ramos delgados já brotaram as flores com as suas grandes petalas brancas,
|
|
manchadas purpureas (na base). As cores vermelhas e branca da serra deviam-se dos dois arbustos vulgares de ericáceas
Erica australis
e
Erica lusitanica
, entre quais se encontrava uma giesta grande, arbustiva com folias lineares e flores amarelas...
Depois ter passado o último destas crestas cobertas com flores que se levanta devido às massas graníticas bastante acima das outras colinas entra-se num vale extenso com sobreiros e outros carvalhos que se fica cada vez mais estreito e que separa os dois cumes da Serra de Monchique,
Fóia
e
Piquóta
e onde, na parte mais alta da encosta de Foia, se encontra a pequena cidade de Monchique, rodeada de soutos sombrios, numa das paisagens mais pitorescas do mundo.
Na subida neste vale coleccionei em cascalhos graníticos e acima de muros
Linaria amethystea
e em semeadas
Cardamine residiflora? (resedifolia?)
, além de uma pequena
Valerianella
e
Draba verna
[44]
.
…
|
|
…
Em terra folhosa leve e húmida dos castanheiros, acima de
Monchique
, estava em quantidade apreciável em flor a bonita
Primula acaulis
Brot. com as suas grandes pétalas, e mesmo aqui encontrei não pouco surpreendido arbustos luxuosos altos de
Rhododendron ponticum
L., que reencontrei no dia seguinte na subida para a Foia nas margens dos riachos até aos prados subalpinas das nascentes des riachos e que segundo testemunho dos habitantes de Monchique também deve ter existido nas partes mais baixos da serra até ao fundo do vale que separa
Fóia
e
Picóta
e onde já figueiras e amendoeiras.
Este interessante arbusto do Oriente cuja aparância na península Ibérica é tão surpreendente e onde, se não me engano, foi descoberto pela primeira vez por
Mr. Barker Webb nas montanhas de
Algeciras
- a única localidade na península Ibérica até aí conhecida onde o encontrei também no ano passado, - encontra-se em três climas diferentes sem mostrar uma aparente modificação na sua forma. Apenas as folhas são mais delgadas aqui; mas encontra-se aqui muito mais abundante do que nas serras de Algeciras, onde existe apenas na região montanhosa, e também ao longo dos riachos. O mais surpreendente foi que encontrei o aqui já em 14 de Fevereiro em flor, enquanto nas encostas muito mais quentes de Algeciras ele tinha em 22 de Março os gomos ainda mal desenvolvidos.
…A restante flora fanerogâmica da Serra de Monchique ainda não estava nada desenvolvida; apenas aqui e acola estava nas fissuras das rochas um exemplar de
Saxifraga granulata
em flor.
|
|
Nas rochas de basalto do cume norte de Foia descobri as folhas lanceoladas largas de uma
Armeria
e de diversas espécies de
Sedum
.
As rochas estavam cobertas com diversas espésies de liquens e de almofadas de uma
Frullania
[45]
, como também consegui observar aqui diverses fetos como
Blechnum spicant
,
Cheilanthes odora
[46]
,
Asplenium Trichomanes
,
Asplenium adiantum nigrum
e nomeadamente alguns exemplares luxuosos de
Aspidium Filix mas
[47]
?. E em fim encontra-se aqui como em todo lado na serra do Algarve o bonito
Lycopodium denticulatum
em grandes quantidades.
Num vale estreio com floresta ao pé sul de Picóta para qual não subi, encontra-se no meio de laranjeiras o pelas suas nascente de enchofre balneário famoso
Caldas de Monchique
. A sua vegetação era insignificante nesta altura do ano; no entanto recolhei em cascalho húmido uma bela Diplotaxis, como encontrei aqui também por baixo do balneário no meio da floresta uns exemplares verdadeiramente gigantes e aparentemente totalmente selvagens de
Colocasia
[48]
antiquorum
Schultes. Esta planta do Egipto que também aparece na espanha entre Churriana e Torremolinos e que foi detectada por Hänseler e Prolongo e que foi visto em 1837 também por Boissier e que pensava que fosse autóctona na ilha, não vi em flor. Em Malaga onde é chamada pelo povo “mantas de St. maria” ela nunca entre em floração segundo Prolongo.
A seguir a esta visita rápida à serra voltei à costa evisitei a parte entre
Faro
e
Cabo S. Vicente
que demonstra na maioria a vegetação costeira já descrita. Entra
Portimão
e
Villanova de Portimão
descobri o em Cadiz tão vulgar
Allium subhirsutum
L. e a arbustiva
Artemisia palmata
L., duas plantas que ainda não tinha visto no Algarve.
Quando regressei a Ayamonte por fim de Fevereiro, encontrei a vegetação bastante avançada. Nas encostas sombrias do castelo eestava
Smyrnium olusatrum
em flor além de
Picridium vulgare
Desf. e diversas
compostas
do género
Crepis
e
Carduus
; nas
|
|
colinas estavam agora em flor
Cistus albidus
,
C. crispus
e
C. salviifolius
além de
S
arothamnus affinis
Vahl. em grandes quantidades, e num arbusto encontrei, novamente rara, a bonita
Vicia villosa
[49]
Brot. com cachos de flores bem desenvolvidos.
|